Nesta sexta-feira, 28, gusTTanu abre as portas de um universo de sombra, toque e imaginação com o lançamento de “FOI”. Produzido por Thiago Simões Braga, o Rapaz do Dread, que foi indicado ao último Grammy Latino, e é responsável por algumas das produções mais emblemáticas do rapper Djonga, além de trabalhos com L7 e BK, a faixa é um R&B de textura quente, e molda um ambiente que existe entre o corpo e o pensamento, entre o que se diz e o que só se insinua.
“FOI” convida o ouvinte a passear por arranjos espaçados, batidas contidas e vocais que soam como um sussurro no escuro. É uma música de respiração lenta e pele arrepiada, onde cada silêncio tem peso e cada reverberação parece tocar a consciência. O clima nasce da tensão entre desejo e delírio, e libertinagem que transforma miragem em sacanagem. É a trilha sonora íntima de um encontro que acontece tanto na rua quanto na mente.
Musicalmente, a faixa bebe de influências como a faixa “Skin”, de Mac Miller, e da elegância instrumental de Masego. Os espaços vazios ampliam a sensualidade do vocal; o baixo discreto, somado às texturas orgânicas e efeitos mínimos, constrói um R&B contemporâneo que não abandona a alma do groove, mas a veste de penumbra, de intimidade, de quase-silêncio. É a trilha de um olhar que desnuda, de um toque que deixa marca, de um corpo que treme antes do impacto.
“FOI” representa uma nova fase para gusTTanu: mais vulnerável, mais honesto, mais entregue ao próprio desejo. Uma música pensada para o fone de ouvido, para a meia-luz, para o instante em que a respiração pesa e o tempo desacelera.
Gravado em Paris, o audiovisual de “FOI” traduz o mesmo clima íntimo e suspenso da música. Filmado em apenas uma noite, com uma equipe de três pessoas, o vídeo dirigido por Filipe Bressan captura a fricção entre cidade e solidão, luz e sombra, desejo e fantasia. Bressan, conhecido por trabalhos que abraçam o minimalismo urbano e a emoção bruta, usa a capital francesa como cenário não de cartão-postal apenas, mas de silêncio e intensidade. O resultado é uma estética que parece acompanhar o pulso da faixa: discreta, mas marcante; suave, mas carregada de tensão.
O clipe nasce como extensão da música: um espaço onde o corpo vaga, onde a mente cria seus próprios delírios, onde a madrugada se estica e transforma um instante em eternidade. Uma narrativa que acompanha gusTTanu em seu movimento de entrega, e convida o público a seguir o mesmo caminho.