Procuram-se moderados

Se há um argumento que funciona na nossa política é o vitimismo. Assumir o papel do perseguido, daquele que não tem espaço para expor suas ideias ou que, na melhor das hipóteses, se vê intimidado quando ousa defendê-las em voz alta, é batata.

A sensação de injustiça acaba gerando dois sentimentos centrais, ambos positivos para quem se esconde debaixo de tal capa: pena e simpatia. Com isso, fica mais fácil angariar aliados para sua causa.

Funciona tão bem que levou a esquerda ao poder, espaço em que se encastelou por quase duas décadas. Serviu também na medida para impulsionar o bolsonarismo na última eleição. Contudo, verdade seja dita, se há uma minoria neste País, esta não se espelha em nenhum dos polos ideológicos que hoje se digladiam e envenenam o debate público.

Radicais à esquerda e à direita disputam, isso sim, a hegemonia. E achatam aqueles que realmente configuram um grupo menor, às vezes tido como pária em um ambiente forjado pelo acirramento da disputa.

Falo dos moderados.

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Não se trata, ao contrário dos casos anteriores, de mera retórica. Não cabe sugerir falsidade no argumento.

De fato, o atual cenário, construído a partir das manifestações em 2013, levou o sujeito ponderado ao ostracismo. À mudez absoluta.

Hoje em dia, vale dizer, quem não compra os discursos difundidos por um dos polos político-ideológicos em voga é desprezado. Leva a culpa, de um lado, por ter permitido a vitória de Jair Bolsonaro, de outro, por ter consentido que o PT ficasse tanto tempo em posse da caneta. Trocando em miúdos, é visto como um mero covarde.

Pois bem, lamento decepcionar a maioria, mas engrosso as fileiras das vítimas reais. E, devo dizer, com certa dose de orgulho.

De forma alguma apoio esta ou aquela facção. Não faria sentido — até porque não é verdade — admitir saudades do tempo em que Dilma Rousseff ou mesmo Lula davam as cartas. Se devo lamentar algo relacionado à dinastia petista é o fato de a sociedade ter preferido dar de ombros em vez de reconhecer e repudiar o lulopetismo.

Entretanto, isso jamais me levará a endossar os argumentos do atual governo. Uma postura agressiva, apolítica, antidemocrática e empapada de populismos baratos, que buscam perpetrar uma lavagem cerebral semelhante àquela outrora empregada pelo PT.

Trata-se, conscientemente, de apostar na moderação. E, sabedor de que não estou sozinho, lamentar que sejamos tão poucos. Ou ainda tão tímidos.

O atual cenário, construído a partir das manifestações em 2013, levou o sujeito ponderado ao ostracismo. À mudez absoluta

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