Processo por brasileira morta diante de filhos na Itália entra em reta final

SÃO PAULO, 25 MAR (ANSA) – O julgamento na Justiça da Itália pelo feminicídio da brasileira Ana Cristina Duarte, ocorrido em 7 de setembro de 2024, entrou em sua reta final, enquanto cresce a expectativa por uma sentença contra o único réu do caso, Ezio Di Levrano, marido da vítima.   

Ana Cristina, de 38 anos, vivia com o marido e os três filhos menores de idade em Colli al Metauro, município de 12 mil habitantes na região de Marcas, centro da Itália, e foi esfaqueada na presença das crianças, em um fim trágico para uma história de reiterados episódios de violência doméstica.   

Natural de Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense (RJ), Ana Cristina conheceu Ezio no Brasil há cerca de 15 anos e, após engravidar, se casou e se mudou com ele para a Itália. Ao chegar na Europa, viu o novo marido ser preso por tráfico de drogas, tendo de enfrentar a primeira gravidez enquanto seu companheiro estava na cadeia.   

Com o passar do tempo, a brasileira passou a ser alvo de violência doméstica e chegou a denunciar Ezio em 2023, mas depois desistiu da ação e só não se divorciou porque não sabia com quem deixaria os filhos quando eles ficassem sozinhos.   

Na penúltima audiência do processo, realizada recentemente, testemunhas próximas a Ana Cristina confirmaram o histórico de agressões e relataram que a vítima vivia sob constante medo do marido, segundo a advogada e ex-deputada do Parlamento da Itália Renata Bueno, que acompanha o caso para garantir que os direitos da mãe da brasileira, Dalva, e das crianças sejam resguardados.   

“Atuo na defesa dessa família, lutando por justiça e, acima de tudo, pela proteção e dignidade dessas crianças, que precisam de cuidado, acolhimento e um futuro seguro”, acrescentou.   

De acordo com Bueno, o réu negou as acusações contra ele e não demonstrou nenhum arrependimento.   

Uma nova audiência está prevista para 15 de abril, quando o Ministério Público apresentará suas alegações finais, enquanto a família de Ana Cristina deve se manifestar no dia 13 de maio.   

Os filhos da brasileira são mantidos em uma comunidade para órfãos na Itália, situação que deve perdurar ao menos até o fim do processo. (ANSA).