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Pró e contra Trump se enfrentam com proximidade do julgamento político

Pró e contra Trump se enfrentam com proximidade do julgamento político

O presidente americano, Donald Trump, e a primeira-dama, Melania Trump, na Casa Branca, em Washington, 17 de janeiro de 2020 - AFP/Arquivos

A batalha pelo histórico julgamento de impeachment de Donald Trump começou dois dias antes da abertura dos debates no Senado, com as primeiras trocas de impressões entre republicanos e democratas em veículos de comunicação neste domingo (19).

Os argumentos utilizados deram uma mostra antecipada do drama histórico que vai se desenvolver nas próximas semanas.

A partir da terça-feira, a Câmara se reunirá durante seis horas por dia, seis dias por semana para realizar o terceiro julgamento político de um presidente americano.

Será um “exercício esgotador”, disse o senador republicano John Cornyn à emissora CBS.

O famoso advogado Alan Dershowitz, um reforço recente na defesa de Trump, argumentou neste domingo que mesmo se todas as acusações enviadas pela Câmara de Representantes ao Senado para o julgamento do presidente forem verdadeiras, não alcançam o nível de um comportamento passível de destituição.

“O voto (da Câmara) foi para acusar de abuso de poder, que não está dentro dos critérios constitucionais para um julgamento político e de obstrução do Congresso”, completou Dershowitz, professor emérito de direito de Harvard, à ABC.

Uma destituição por motivos políticos, acrescentou, era o “maior pesadelo” dos fundadores do país.

Adam Schiff, congressista da Califórnia eleito pelos democratas da Câmara baixa como o principal promotor do julgamento político, descartou a ideia de que o abuso de poder não seja motivo para a destituição.

– “Disparate” –

“Esse é um argumento que você deve apresentar quando os fatos são muito desfavoráveis a você”, disse, também à ABC.

Outro promotor do julgamento político, Jerry Nadler, disse que o argumento de Dershowitz era “puro disparate”.

A Câmara de Representantes acusou Trump de ter cometido abuso de poder para pressionar a Ucrânia a buscar informação prejudicial sobre seu provável adversário democrata nas presidenciais deste ano, Joe Biden, ao reter ajuda militar e condicionar uma reunião na Casa Branca com o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, à sua colaboração no caso. Trump também foi acusado de obstruir uma investigação do Congresso.

“Teria horrorizado os fundadores, que se preocupavam exatamente com este tipo de solicitação de interferência estrangeira em uma eleição para benefício pessoal”, disse Schiff a respeito da argumentação dos republicanos.

As duas partes têm discutido publicamente sobre se o julgamento ocorrerá de forma rápida, talvez em apenas duas semanas – o que Trump claramente prefere – ou se será possível chamar testemunhas e apresentar novas provas, o que os democratas exigem para um processo pleno e justo.

O presidente disse que gostaria que o Senado descartasse quase de imediato as acusações, mas o senador republicano Lindsey Graham, próximo a Trump, disse à Fox News: “Isso não vai acontecer. Não temos os votos para isso”.

No entanto, Dershowitz disse neste domingo que convocar testemunhas provocaria atrasos importantes.

“O julgamento levará muito mais tempo porque os democratas vão chamar John Bolton (ex-assessor de segurança nacional), e o presidente invocará o privilégio executivo e terá que ir aos tribunais”, disse à CNN.

O próprio Trump expressou neste domingo sua confiança em que a maioria republicana no Senado se manteria sólida e o absolverá.

“Nunca vi o Partido Republicano tão forte e unificado como está agora. Obrigado!”, escreveu no Twitter.