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Prisão perpétua para 151 acusados por tentativa de golpe na Turquia em 2016

Prisão perpétua para 151 acusados por tentativa de golpe na Turquia em 2016

(2017) Acusados são escoltados até o tribunal instalado na prisão de Sincan para serem julgados - AFP/Arquivos

Um tribunal turco condenou nesta quinta-feira à prisão perpétua 151 pessoas, em um dos maiores julgamentos realizados por ocasião da tentativa de golpe de Estado de 2016.

O tribunal de Sincan, na província de Ancara, condenou à prisão perpétua agravada 128 pessoas, o que implica em condições de encarceramento especialmente duras, e à prisão perpétua outras 23 pessoas, por “tentativa de derrubada da ordem constitucional”, assassinato e tentativa de assassinato, informou a agência privada DHA.

Por outro lado, 32 pessoas foram liberadas e 27 receberam sentenças que chegam a 20 anos de prisão por “pertencerem a uma organização terrorista”, segundo a mesma fonte.

Um total de 224 pessoas, entre elas 20 generais, foram julgadas, em um dos maiores julgamentos relacionados à tentativa de golpe de Estado de 2016. Deste total, 176 encontravam-se em prisão provisória, 35 em liberdade e 13, foragidas.

O ex-chefe da Força Aérea Akin Öztürk e o ajudante de Erdogan no momento do golpe, Ali Yazici, integram a lista de condenados à prisão perpétua, informou a DHA.

A tentativa de golpe aconteceu na noite de 15 para 16 de julho de 2016 e deixou quase 250 mortos, sem contar os golpistas, e milhares de feridos.

O ministro da Justiça, Abdülhamit Gül, comemorou as condenações, que, segundo ele, mostram “a exemplaridade” do sistema judicial de seu país.

A audiência foi realizada na prisão de Sincan, onde uma grande sala foi montada para abrigar os julgamentos.

– ‘Vergonha’ –

Uma centena de pessoas se encontravam reunidas em um ambiente tenso diante do tribunal, fortemente custodiado. Enquanto o juiz anunciava as sentenças, os policiais tentavam manter a calma entre a multidão do lado de fora, onde eram registradas brigas. Um agente atirou várias vezes para o alto para acalmar os ânimos.

Durante a abertura do processo, em maio de 2017, famílias de vítimas da tentativa de golpe se reuniram diante do tribunal para exigir o restabelecimento da pena de morte, abolida como parte da candidatura turca à União Europeia. O presidente Erdogan ainda não tomou nenhuma decisão neste sentido.

Ancara atribui a tentativa de derrubar Erdogan a seu ex-aliado e pregador Fethullah Gülen, instalado nos Estados Unidos há 20 anos e que nega envolvimento no episódio.

As prisões e julgamentos realizados após a tentativa de golpe são de uma dimensão sem precedentes na Turquia. Mais de 50 mil pessoas, incluindo militares, magistrados e professores, foram presas desde o 15 de Julho.

Até o momento, e sem contar as sentenças de hoje, 3.239 pessoas foram condenadas após 261 julgamentos relacionados ao golpe fracassado. Vinte e oito processos estão em andamento, segundo o Ministério da Justiça turco.

Segundo a ata de acusação, citada pela imprensa turca, mais de 8 mil militares participaram da tentativa de golpe, durante a qual os golpistas usaram 35 aviões de combate, 37 helicópteros, 74 tanques, 246 veículos blindados e cerca de 4 mil armas.