Prisão domiciliar de Bolsonaro está ‘amadurecida’, avaliam interlocutores

Aliados do ex-presidente acreditam ter votos suficientes no STF para garantir benefício, mas apontam necessidade de cessão a ataque aos ministros da Corte

Jair Bolsonaro
O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil

Interlocutores do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) avaliam que a prisão domiciliar está amadurecida e deve acontecer nas próximas semanas. Para pessoas próximas da cúpula, há votos suficientes no Supremo Tribunal Federal (STF) para garantir o benefício.

Bolsonaro está preso em regime fechado desde novembro, quando o ex-presidente tentou romper a tornozeleira eletrônica. Ele já cumpre a pena de 27 anos e três meses de prisão por participação no plano de golpe de Estado após a derrota nas eleições de 2022. Ele foi transferido para o Batalhão da Polícia Militar do Distrito Federal, conhecido como Papudinha, há um mês, onde cumpre pena.

Emissários do ex-presidente intensificaram as negociações para emplacar a prisão domiciliar. As articulações são encabeçadas pela ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro e pelo governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos). Outros aliados também têm atuado pela concessão do benefício, mas articulam nos bastidores.

Sob reserva, fontes afirmam haver ao menos cinco votos favoráveis à prisão domiciliar. Além de Kássio Nunes Marques e André Mendonça, indicados por Bolsonaro à Corte, os ministros Luiz Fux, Dias Toffoli e o decano Gilmar Mendes estão inclinados a votar pela domiciliar de Bolsonaro.

Membros do STF, todavia, veem uma necessidade de “amadurecimento” nas relações com os bolsonaristas. Em sumo, aliados do ex-presidente deverão cessar, ou ao menos reduzir, os ataques à Corte e seus integrantes, principalmente membros da família, como o pré-candidato à presidência e senador Flávio Bolsonaro (PL), que criticou o ministro Alexandre de Morais, relator do processo, em entrevista à imprensa francesa.

Tarcísio em Brasília

Nesta quarta-feira, 12, Tarcísio de Freitas se reunirá com quatro ministros do STF, de acordo com interlocutores, a pauta dos encontros deve ser o Propag (Programa de Pleno Pagamento de Dívidas dos Estados). A primeira reunião é com Moraes, que relata o processo de Bolsonaro. Além dele, Tarcísio se reunirá com Toffoli, Gilmar Mendes e com Cristiano Zanin. Esses últimos três encontros acontecerão no fim da tarde.