Comportamento

Príncipe Andrew sofre pressão para cooperar no caso Epstein

Príncipe Andrew sofre pressão para cooperar no caso Epstein

O príncipe Andrew em Norfolk, Inglaterra, em 19 de janeiro de 2020 - AFP/Arquivos

Os advogados das supostas vítimas de Jeffrey Epstein pediram nesta terça-feira para o príncipe Andrew, filho de Elizabeth II da Inglaterra, depôr sobre seus laços com o falecido investidores americano, após um procurador nova-iorquino lamentar sua “cooperação zero”.

A advogada americana Gloria Allred, que representa cinco mulheres que dizem ter sido agredidas por Epstein, afirmou que o duque de York tem “a obrigação moral” de se reunir com o FBI e que o fato não ter feito isso representa “um prejuízo para as vítimas”.

“Faz muito tempo que deveria ter feito isso, ou explicar por que não fará, e não fez nenhuma das duas coisas”, disse em uma entrevista com a rádio pública britânica BBC. “Se não fez nada de errado, que é o que parece ser o que afirmou, então, por que não fala com as forças de ordem?”, lançou.

O príncipe Andrew, de 59 anos e oitavo na linha sucessória ao trono, já se viu obrigado, no fim do ano passado, a se retirar de atos públicos como membro da família real devido a sua amizade com Epstein.

Virginia Giuffre, americana que afirma ter sido vítima do bilionário americano, garante ter sido forçada a ter relações sexuais com o príncipe em Londres quando tinha 17 anos, algo que Andrew negou em várias ocasiões.

Entretanto, na segunda, o procurador do distrito sul de Nova York, Geoffrey Berman, denunciou que “até este momento o príncipe Andrew deu cooperação zero”.

Berman disse que não costuma informar sobre as pessoas que cooperam ou não com uma investigação, mas que neste caso abrira uma exceção porque o próprio príncipe ofereceu ajuda.

“É justo que as pessoas saibam se o príncipe Andrew cumpriu seu compromisso público”, disse o procurador.

Contatado pela AFP, o Palácio de Buckingham não quis reagir às declarações de Berman.

– ‘Disposto a ajudar’ –

Epstein, milionário de 66 anos que era amigo de várias celebridades, entre elas Donald Trump, se matou na prisão em Nova York em agosto após ser acusado pelo MP de abusar sexualmente de dezenas de menores de idade.

Ele jurava ser inocente, mas enfrentaria 45 anos de prisão se fosse considerado culpado de conspiração para traficar menores de idade.

Em novembro, Andrew deu uma polêmica entrevista à BBC na qual defendeu sua amizade com Epstein. O resultado foi desastroso para ele, que se viu obrigado a renunciar às suas funções oficiais.

“Lamento inequivocamente minha imprudente associação com Jeffrey Epstein”, disse em nota, após receber diversas críticas.

Em novembro, ele garantiu estar “disposto a ajudar qualquer agência encarregada das investigações, se quiserem isso”.

A morte de Epstein foi classificada como suicídio. Os guardas que deveriam vigiá-lo de madrugada não fizeram isso.

O fato despertou diversas teorias da conspiração. Algumas sugerem que ele teria sido assassinado para evitar que revelasse informações de seus amigos poderosos.