ROMA, 29 NOV (ANSA) – O chefe de Gabinete da Presidência da Ucrânia, Andriy Yermak, renunciou ao cargo, após seu apartamento e seu escritório terem sido alvos de uma operação de busca e apreensão no âmbito de um escândalo de corrupção que chacoalhou o entorno do presidente Volodymyr Zelensky.
Ex-produtor televisivo, Yermak acumulou poderes durante a guerra contra a Rússia e era um dos aliados mais próximos do chefe de Estado, sendo descrito por muitos como o “vice-presidente informal”.
Nos últimos dias, no entanto, Zelensky vinha sendo pressionado a demiti-lo por sua ligação próxima com dirigentes suspeitos de corrupção envolvendo a estatal de energia nuclear Energoatom.
A suspeita é que políticos recebiam propinas de 10% a 15% de todos os contratos da empresa, totalizando um prejuízo de quase 100 milhões de euros (R$ 620 milhões)aos cofres públicos. Antes da queda de Yermak, dois ministros de Zelensky já haviam caído após ter sido citados na investigação.
Segundo informações divulgadas pela imprensa ucraniana, o inquérito apontou que Yermak ganharia uma luxuosa mansão na capital como parte do esquema de corrupção.
Ele se preparava para partir para os EUA, onde lideraria a delegação ucraniana nas negociações com dirigentes americanos sobre um plano de paz com a Rússia, papel que agora recairá sobre Rustem Umerov, ex-ministro da Defesa e atual secretário do Conselho de Segurança Nacional de Kiev.
Já o ex-chefe de Gabinete anunciou que pretende ir para a linha de frente do conflito contra Moscou e garantiu que é uma “pessoa de bem e honesta”. “A minha dignidade não foi protegida, mas não quero criar problemas a Zelensky”, disse Yermak, lamentando a “falta de apoio da parte daqueles que conhecem a verdade”. (ANSA).