Principais pontos da nova encíclica do papa Francisco

Principais pontos da nova encíclica do papa Francisco

Os principais pontos da nova encíclica do papa Francisco “Fratelli tutti” (Todos irmãos), sobre a fraternidade e a amizade social, divulgada neste domingo pelo Vaticano.

Não ao individualismo

“O individualismo não nos torna mais livres, mais iguais, mais irmãos. A mera soma dos interesses individuais não é capaz de gerar um mundo melhor para toda a humanidade”.

“Uma sociedade fraternal será aquela que conseguir promover a educação para o diálogo com o objetivo de derrotar o ‘vírus do individualismo radical’ e permitir que todos deem o melhor de si mesmos”.

– Os três T –

“É possível desejar um planeta que assegure terra, teto e trabalho para todos. Este é o verdadeiro caminho da paz, e não a estratégia sem sentido e míope de semear o temor e a desconfiança ante ameaças externas “

“A paz real e duradoura só é possível a partir de uma ética global de solidariedade e cooperação a serviço de um futuro moldado pela interdependência e corresponsabilidade entre toda a família humana”.

– Não ao neoliberalismo –

“O mercado sozinho não resolve tudo, embora mais uma vez queiram que acreditemos neste dogma da fé neoliberal. Trata-se de um pensamento pobre, repetitivo, que propõe sempre as mesmas receitas diante de qualquer desafio que se apresente”.

“O neoliberalismo se reproduz a si mesmo, recorrendo ao mágico ‘derramamento’ ou ‘gotejamento’ – sem nomeá-lo – como único caminho para resolver os problemas sociais”.

“A especulação financeira com o lucro fácil como objetivo fundamental continua provocando estragos”.

“A fragilidade dos sistemas mundiais diante das pandemias evidenciou que nem tudo se resolve com a liberdade de mercado e que, além de reabilitar uma saudável política que não esteja submetida aos ditames das finanças, temos que voltar a levar a dignidade humana ao centro e que, sobre este pilar, sejam construídas as estruturas sociais alternativas que necessitamos”.

– Acabar com a fome no mundo –

“Ainda estamos longe de uma globalização dos direitos humanos mais básicos. Por isto a política mundial não pode deixar de colocar entre seus objetivos principais e imperiosos o de acabar de modo eficaz com a fome. Porque quando a especulação financeira condiciona o preço dos alimentos, tratando-os como uma mercadoria qualquer, milhões de pessoas sofrem e morrem de fome. Por outro lado, toneladas de alimentos são desperdiçadas. Isto constitui um verdadeiro escândalo”.

“A fome é criminosa, a alimentação é um direito inalienável”.

– O nacionalismo cego –

“Os nacionalismos fechados expressam de modo definitivo esta incapacidade de gratuidade, o erro de acreditar que podem desenvolver-se à margem da ruína dos demais e que fechados ao restante estarão mais protegidos. O imigrante é visto como um usurpador que não oferece nada. Assim, pensam ingenuamente que os pobres são perigosos ou inúteis e que os poderosos são benfeitores generosos. Somente uma cultura social e política que incorpore a acolhida gratuita poderá ter futuro”.

– O insano populismo –

“O desprezo pelos fracos pode esconder-se em formas populistas, que os utilizam demagogicamente para seus fins, ou em formas liberais a serviço dos interesses econômicos dos poderosos. Em ambos os casos se adverte para a dificuldade de pensar em um mundo aberto que tenha lugar para todos, que incorpore os mais fracos e que respeite as diversas culturas”.

“Há um insano populismo quando se converte na habilidade de alguém para (…) instrumentalizar politicamente a cultura do povo, com qualquer signo ideológico, a serviço de seu projeto pessoal e de sua perpetuação no poder”.

– A memória –

“Hoje é fácil cair na tentação de virar a página afirmando que já faz muito tempo que aconteceu e que é preciso olhar para frente. Não por Deus! Nunca se avança sem memória, não se evolui sem uma memória íntegra e luminosa”.

“Verdade é contar às famílias devastadas pela dor o que aconteceu com seus familiares desaparecidos”.

– O sonho –

“Anseio que nesta época em que vivemos, reconhecendo a dignidade de cada pessoa humana, que possamos fazer renascer entre todos um desejo mundial de fraternidade.(…) Precisamos de uma comunidade que nos apoie, que nos ajude e na qual ajudemos uns aos outros a olhar para frente. Que importante é sonhar juntos!”.