O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), decretou a prisão temporária de Felipe Vorcaro, primo do dono do Banco Master, Daniel Vorcaro. De acordo com as investigações, Felipe seria o operador financeiro do grupo e responsável pela execução de movimentações financeiras e societárias sob suspeita.
Além da prisão do primo de Vorcaro, os agentes cumprem no âmbito da Operação Compliance Zero 10 mandados de busca e apreensão. O senador Ciro Nogueira (PP-PI) é um dos alvos.
Ainda segundo a Polícia Federal, Felipe Vorcaro teria tentado frustrar a colheita de provas durante a segunda fase ostensiva da operação. Imagens do circuito interno de TV de uma residência em Trancoso, na Bahia, registraram o investigado evadindo-se do local às 5h41 de 14 de janeiro de 2026, apenas 18 minutos antes da chegada da equipe da PF.
Na ocasião, os agentes encontraram o imóvel com ar-condicionado ligado e roupas de cama desarrumadas, mas sem nenhum dispositivo eletrônico, o que indica a retirada seletiva de provas.
“Contrato de gaveta” e vantagens indevidas
A investigação aponta que Felipe Vorcaro operacionalizou a aquisição, por parte de uma empresa vinculada ao núcleo familiar de Ciro Nogueira, de 30% das ações da Green Investimentos S.A..
O negócio teria ocorrido com deságio expressivo: a participação, avaliada em R$ 13 milhões, foi transferida por R$ 1 milhão. Para evitar a fiscalização de órgãos reguladores, o grupo teria utilizado um “contrato de gaveta”. Além disso, diálogos interceptados revelam que Felipe Vorcaro geria pagamentos mensais ao senador, que variavam entre R$ 300 mil e R$ 500 mil, referenciados como “parceria BRGD/CNLF”.
A IstoÉ procurou a defesa de Ciro Nogueira e aguarda retorno.