Primeira Turma do STF torna Malafaia réu por ofensas ao Alto Comando do Exército

Acusação tem como base declarações feitas pelo pastor durante ato realizado na Avenida Paulista, em abril de 2025

Pastor Silas Malafaia
Pastor Silas Malafaia Foto: Divulgação

O Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu tornar réu o pastor Silas Malafaia por injúria contra o Alto Comando do Exército. A decisão foi tomada pela Primeira Turma da Corte nesta segunda-feira, 28, analisando uma denúncia apresentada pela Procuradoria-Geral da República (PGR).

A acusação tem como base declarações feitas por Malafaia durante ato realizado na Avenida Paulista, em abril de 2025. Na ocasião, o pastor dirigiu críticas a integrantes do Exército, utilizando termos como “frouxos”, “covardes” e “omissos”.

Com o recebimento da denúncia, Malafaia passa à condição de réu e responderá a ação penal no STF. Caberá à Corte, nas próximas etapas, analisar o mérito da acusação.

A defesa do pastor sustentou que o STF não seria o foro competente para julgar o caso, uma vez que ele não possui cargo com prerrogativa de foro. Os advogados também argumentaram que a Primeira Turma estaria incompleta, o que poderia comprometer o julgamento. Os argumentos foram rejeitados pela maioria dos ministros.

Injúria sem calúnia

Os ministros Alexandre de Moraes e Flávio Dino votaram pelo recebimento integral da denúncia. Já Cristiano Zanin divergiu e defendeu o prosseguimento apenas pelo crime de injúria, ao avaliar que não houve imputação específica de crime — requisito para configuração de calúnia. O entendimento foi acompanhado por Cármen Lúcia.

Com o empate, prevaleceu a interpretação mais favorável ao réu, e a acusação por calúnia foi afastada, mantendo-se apenas a de injúria. Vale lembrar que o crime de calúnia implica em acusar alguém falsamente de um crime, enquanto injúria abrange ofensas  e xingamentos contra a dignidade.