Prevent Senior, a Volkswagen do governo Bolsonaro

Crédito: Reprodução TV Globo

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Em março deste ano, a Volkswagen divulgou um comunicado reconhecendo que colaborou com a ditadura militar brasileira.

“A Volkswagen lamenta profundamente as violações dos Direitos Humanos ocorridas naquele momento histórico e se solidariza por eventuais episódios que envolveram seus ex-empregados e seus familiares”, disse o texto.

Os detalhes do caso constam de um relatório produzido pelos Ministérios Públicos Federal, de São Paulo e do Trabalho. Ele mostra que a colaboração da empresa foi voluntária e sistemática, incluindo a delação e a entrega de empregados aos militares e  a sonegação de informações às famílias desses funcionários.

A Volkswagen pretendia lucrar com a cumplicidade, mas seus diretores também estavam alinhados ideologicamente com o regime.

O governo Bolsonaro parece ter encontrado na operadora de saúde Prevent Senior a sua Volkswagen.

Se forem confirmadas, as informações sobre a empresa que surgiram durante a CPI da Pandemia mostram que sua cúpula estava alinhada com o bolsonarismo desde as eleições de 2018. Uma mensagem direcionada aos funcionários logo antes da votação dizia que a Prevent Senior fecharia as portas se o candidato não vencesse.

Quando os casos de Covid 19 começaram a crescer de maneira acelerada no Brasil, um hospital da operadora, cujos planos são voltados à terceira idade, despontou como um dos lugares que mais registraram mortes pela doença.

Pouco depois, em um duplo movimento para tentar reverter os danos de imagem causados pelas mortes, mas também reiterar o apoio político ao presidente, a Prevent Senior passou a prescrever a seus pacientes o tratamento precoce, tal como defendido por Bolsonaro, e deu início a um estudo sobre os seus efeitos, com apoio do governo federal.

O dossiê compilado por médicos e ex-médicos sugere que a partir daí a operadora jogou para o alto quaisquer escrúpulos.

Ela coagiu funcionários a prescrever o “kit covid”, mesmo quando eles acreditavam que não deveriam indicar aos seus pacientes remédios sem eficácia (adeus autonomia médica para escolher tratamentos, muleta utilizada pelos bolsonaristas quando querem justificar a insistência na cloroquina e outras poções anti-covid).

Ela omitiu dos pacientes e seus familiares o uso dos remédios.

Ela falsificou o número de mortes por Covid 19 em seus hospitais, mandando que depois de 14 dias de permanência em quartos comuns, ou 21 dias em UTIs, o eventual óbito fosse atribuído a outras causas, sem nenhuma menção à doença como causa original da internação.

Ela também mentiu a respeito do tal estudo sobre o tratamento precoce. Omitiu que nove pacientes haviam morrido, noticiando apenas dois. Deu a entender que o trabalho tinha peso científico, quando o contrário era verdade: ele não seguiu nenhum dos protocolos que serviriam para validar seus resultados.

Os resultados da falsa pesquisa científica foram divulgados por Jair Bolsonaro. Ele pôde enaltecer o uso da cloroquina. A Prevent Senior ganhou propaganda positiva.

A colaboração de empresas com quem está no poder é particularmente detestável pela maneira como instrumentaliza pessoas: os empregados, coagidos a fazer o que não querem, e os clientes, ludibriados e usados para atender aos interesses financeiros da empresa e aos interesses políticos de quem está no governo.



Décadas depois de entregar seus funcionários às prisões dos militares, a Volkswagen se comprometeu a pagar R$ 36 milhões pelos danos que sua colaboração com a ditadura causaram. Parte do dinheiro vai indenizar trabalhadores e suas famílias, outra será usada em iniciativas ligadas à defesa dos direitos humanos.

O Ministério Público já começou a investigar as acusações gravíssimas contra a Prevent Senior. Que não se passem décadas antes que haja respostas.

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Sobre o autor

Carlos Graieb tem trinta anos de experiência como jornalista e executivo de mídia. Foi secretário de Comunicação do Governo do Estado de São Paulo (2017-2018)


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