Cultura

Prestes a fazer 60 anos, Bryan Adams volta ao País com álbum cheio de vitalidade

Bryan Guy Adams, 18 anos. É assim que o canadense prefere ser apresentado, com uma frase que usa também para contornar a pergunta inevitável da idade. Alguns sentem a chegada dos 40, outros a dos 50, mas o que os 60 trariam para um homem que se alimenta de juventude? “Eu tenho 18 anos, até a minha morte”, diz à reportagem. Há fatos extra cronológicos que corroboram sua afirmação. Ouvir “Shine a Light”, por exemplo, seu álbum mais recente, é uma experiência deliciosamente rejuvenescedora. Bryan Adams, 59 anos, 60 a partir de 5 de novembro, consegue não envelhecer naquilo que realmente importa, o pensamento. Sua forma de fazer música pode não reverberar como as canções de 1984 que fizeram do álbum “Reckless” um clássico de sua discografia e elevaram suas vendagens para a casa dos 100 milhões, mas o fato é que seguram a dignidade.

É com “Shine a Light” que Bryan volta ao Brasil. Seu show em São Paulo será dia 18 de outubro, no formato semi arena do Allianz Parque, depois de passar por Lima, no Peru, e Buenos Aires, na Argentina, e antes de seguir para o Rio, dia 19. Sua música é jovem no som e nas letras, que ainda contam histórias de ambições adolescentes como “Você nasceu em uma cidade pequena / Sempre teve sonhos maiores que os do seu irmão, você sabe / Pegou a estrada onde ela se bifurca / Tomou boas decisões / Comece da sarjeta, você sabe”, mas suas preocupações ganharam temas novos.

Há uma semana, ele apareceu em suas redes sociais usando uma camiseta que gritava em letras grossas: “Por favor, pare de matar as baleias.” O posicionamento provocou a imprensa a procurá-lo com a pergunta engatilhada: qual causa o motiva? “Estou fazendo isso porque acredito na proteção de todas as espécies de animais e nas informações que foram divulgadas sobre o quanto a produção de animais para consumo humano está desequilibrando nosso planeta.”

Bryan não consome carne desde 1988, ano em que já havia feito todos os seus sucessos com exceção de (Everything I Do) “I Do It for You”, que viria em 1991, e “Please Forgive Me”, de 1993. Casado com Alicia Grimaldi, 40 anos, sua assistente pessoal, e pai de duas meninas, ele compara o Bryan carnívoro ao Bryan vegano: “Não há dúvida de que, uma vez que comecei a reconhecer as criaturas por aquilo que elas são, e não pela comida, fiquei muito agradecido por não fazer parte da roda da morte que todos consideram certa. Minha saúde melhorou bastante quando eu cortei produtos de origem animal.”

Causas pelo mundo

A exemplo de roqueiros pacifistas como Bono e Paul McCartney, o canadense tem projetos sociais, além da defesa dos animais, sobre os quais fala pouco. Em seu país, ele se associou a escolas públicas com um projeto de ensino musical e disse recentemente que se inspira em Elton John para ser uma pessoa melhor. A pergunta é se países como o Brasil o inspiram também à caridade. “Espero iniciar um programa de plantio de árvores a partir desta turnê com o meu patrocinador, a DHL. Estamos fazendo isso com uma ONG chamada Weforest. Elton John já destinou tanto dinheiro para a pesquisa sobre Aids no mundo que é inacreditável. Quem não pode se inspirar por isso?”

Ver Bryan em shows como os da turnê “Get up”, de 2015, ouvi-lo em coletâneas ou mesmo no novo “Shine a Light” é como perceber dois artistas em um, complementares ou opostos, dependendo do ponto de vista. Um é o roqueiro clássico, desses que buscam referenciais nos primórdios de Elvis Presley e de Buddy Holly, quase um guitar hero se tivesse de dedicado ao instrumento. O outro é um cantor romântico pop, levado pela força das gravações que o tornaram um homem rico aos love songs das madrugadas.

A pergunta não parece irritá-lo: Afinal, Bryan, você já teve que decidir entre esses dois homens? O popstar parece ter ficado mais forte do que o roqueiro. “Eu sinto que meus álbuns são consistentes em ritmo e estilo, eles sempre têm rock e algumas baladas. É assim que eu imagino um show ao vivo.” Se sente o sucesso também como uma espécie de prisão? Sinta o peso de não poder fazer shows realmente novos sem músicas como “Heaven” ou (Everything I Do) “I Do It For You”? Não, diz Bryan. “Prisão? Jamais, eu sou grato por ter criado essas músicas. É incrível poder cantá-las todas as noites. Você sabe que é fácil escrever músicas, mas é muito difícil escrever as boas.”

E como lidar com a velocidade de um mundo que não para mais para ouvir discos? Como continuar criando álbuns conceituais para jovens que se satisfazem com um bom single? “Sim, é difícil, mas eu tento acompanhar o tempo. Amo a minha página do Instagram e vejo que você está olhando para ela.”

“Shine a Light”, e isso confirma como um movimento rejuvenescedor também passa por estratégias, tem a produção de Ed Sheeran, o fenômeno inglês que mais vendeu músicas ao redor do planeta em 2017. Sobre a parceria, ele ri: “Foi muito divertido e rápido. Enviei-lhe uma ideia por e-mail, ele me enviou uma ideia por e-mail. Sou grato pelo e-mail!” As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

SERVIÇO

BRYAN ADAMS

Allianz Parque Hall

Dia 18 de outubro, às 21h.

Av. Francisco Matarazzo, 1705.

Preços: de R$ 150 a R$ 720

Menores de 16 anos poderão comparecer ao evento desde que acompanhados dos pais e/ou responsáveis legais.

Tópicos

Bryan Adams MÚSICA