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Pressionado, Bolsonaro tenta remobilizar a ultradireita no Brasil

Pressionado, Bolsonaro tenta remobilizar a ultradireita no Brasil

O presidente brasileiro, Jair Bolsonaro, em 9 de maio de 2021 - AFP/Arquivos


O presidente Jair Bolsonaro tenta mobilizar suas bases mais radicais para conter a erosão da sua popularidade e a ascensão de seu maior adversário, Luiz Inácio Lula da Silva, como favorito às eleições presidenciais de 2022.

O presidente, acossado por uma CPI sobre sua caótica gestão da pandemia, participará no sábado, em Brasília, de um ato convocado por agricultores conservadores, à qual chegará a cavalo, segundo informações.

Os organizadores esperam a presença de umas 100.000 pessoas, “soldados conservadores”, que denunciarão a “loucura” das medidas de isolamento social adotadas por governadores e prefeitos, e apoiadas pelo Supremo Tribunal Federal, para conter a pandemia do coronavírus, que já matou mais de 430.000 pessoas no país.

Em paralelo, umas cem cidades serão palco de uma “Marcha da Família Cristã pela Liberdade”, um nome que remete aos protestos que em 1964 propiciaram o golpe militar e a instalação de uma ditadura que durou 21 anos.

A marcha teve dois ensaios, o primeiro há duas semanas, quando Bolsonaro sobrevoou uma concentração de milhares de simpatizantes em Brasília.

E o segundo no domingo passado, quando o ex-capitão do Exército, de 66 anos, liderou uma caravana de centenas de motociclistas.

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Bolsonaro segue um roteiro habitual de agitação e polarização em várias frentes.

Falta ver se funciona para garantir sua reeleição em outubro do ano que vem.

“Bolsonaro está passando por um momento difícil, por isso age para dar satisfação a seu eleitorado”, disse à AFP a socióloga Debora Messenberg, da Universidade de Brasília.

“Como todo personagem de extrema direita, atua para manter seu eleitorado cativo em uma posição de guerra”, acrescentou.

– Investigação pandêmica –

Há duas semanas, ex-ministros e diretores de grandes laboratórios dão testemunhos juramentados à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que investiga possíveis “omissões” do governo perante a pandemia.

Os interrogatórios, transmitidos ao vivo pela TV, põem foco na oposição de Bolsonaro ao confinamento em nome de salvaguardar a economia, assim como em sua promoção de medicamentos sem eficácia comprovada, como a cloroquina, seu desdém pelo uso de máscaras e sua recusa à oferta de vacinas.

“É como um desfile de pessoas, muitas das quais fizeram parte do governo, lembrando aos brasileiros porque há tantos mortos”, disse Brian Winter, vice-presidente da Americas Society do Conselho das Américas.

“As probabilidades de que [a investigação] termine com sua saída da Presidência são quase nulas, mas o fere com vistas à disputa de outubro de 2022 porque lembra a todo mundo sua administração desastrosa e o negacionismo que abraçou”, acrescentou Winter.

Na quinta-feira, Bolsonaro descarregou sua raiva contra a CPI e seu relator, o senador Renan Calheiros (MDB/AL), que conduz os interrogatórios.

“Se Jesus teve um traidor, temos um vagabundo inquirindo pessoas de bem no país. É um crime o que vem acontecendo com essa CPI”, afirmou.

Esse desabafo ocorreu poucas horas depois de uma pesquisa do instituto Datafolha revelar que sua popularidade caiu de 30% em março para 24%, seu pior índice desde que chegou ao poder em 2019.

Ainda segundo o Datafolha, se as eleições fossem hoje, o ex-presidente Lula (2003-2020), líder histórico da esquerda, passaria ao segundo turno com 18 pontos de vantagem sobre Bolsonaro, e o venceria no segundo por 23 (55% a 32%).

– Bases que duvidam –

“Sua base ainda o apoia, mas está um pouco incomodada e desmobilizada por vários motivos”, disse Winter, enumerando a recente demissão do chanceler ultraconservador Ernesto Araújo e a aliança de Bolsonaro com o ‘centrão’, um poderoso grupo de partidos conhecidos pela maleabilidade política.

Para ser reeleito, Bolsonaro terá que reunir os mesmos setores que lhe garantiram a vitória em 2018.

Mas agradar os mais radicais pode lhe custar votos da classe média e dos empresários, preocupados com a crise.

Se esta estratégia fracassar, Bolsonaro parece decidido a seguir o manual do ex-presidente americano Donald Trump, que até agora nega sua derrota nas urnas para Joe Biden.

Ele já deu sinais de que poderia seguir por esse caminho, questionando a confiabilidade do voto eletrônico, em vigor no Brasil.

“Ele já deixou claro que vai contestar as eleições se perder”, afirmou André Sathler, do portal Congresso em Foco.

Outro sinal: suas ameaças recentes às instituições democráticas. Há duas semanas, advertiu que poderia baixar um decreto proibindo as quarentenas, desafiando o STF. E assegurou que este decreto “não será contestado por nenhum tribunal”.

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