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Presos ajudam a combater incêndios no Pantanal

Presos ajudam a combater incêndios no Pantanal

Presos trabalham no combate a incêndios no Pantanal, em 17 de setembro de 2020 - AFP

Eliseu dos Santos sente-se triste e ao mesmo tempo orgulhoso: preso há dez anos, agora faz parte de uma brigada de voluntários que combate um incêndio e realiza outros trabalhos essenciais para diminuir os efeitos das chamas que devastam o Pantanal.

“A gente veio para ajudar em todas as tarefas. Fizemos um curso com o corpo de bombeiros para poder estar junto combatendo o fogo, resgatando animais, levando alimentos, água”, explicou à AFP.

A operação é realizada ao longo da Transpantaneira, uma estrada de terra de 150 km, principal via da região, que vai de Porto Jofre a Poconé, no estado de Mato Grosso.

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“Aqui falta água, alimento, muitos bichos morrendo. É uma tristeza enorme. Me alegro de estar ajudando e ao mesmo tempo me entristeço de ver o que está acontecendo, o que estou vendo com os meus próprios olhos”, diz Santos enquanto corta e classifica frutas que vai deixar em pontos pré-determinados à disposição dos animais ameaçados pela fome e pela desidratação.

Assim como os outros dez internos que integram esse programa da Secretaria Adjunta de Administração Penitenciária do Estado de Mato Grosso, esse homem magro de 54 anos participa voluntariamente.

Eles foram escolhidos por estarem na fase final do cumprimento da pena e por apresentarem comportamento exemplar.

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A AFP acompanhou uma parte do grupo que ajudou os bombeiros a abrirem um corredor corta-fogo no meio da mata, técnica para evitar que as chamas se espalhassem para o outro lado da estrada, numa luta acirrada para salvar maior planície tropical alagável do mundo, que se estende pela Bolívia e pelo Paraguai.

Segundo dados oficiais, de janeiro até o final de agosto as chamas consumiram 18.646 km2, 12,4% do bioma do lado brasileiro.

O fenômeno foi causado em grande parte por queimadas que saíram do controle, em meio à pior seca da região em 47 anos.

Os presidiários bombeiam água, apagam as chamas e auxiliam os brigadistas em todas as suas tarefas. Seus passos são monitorados por uma tornozeleira eletrônica e por um grupo de policiais.

“O objetivo é a reintegração à sociedade”, explica o policial penal Alex Rondon, chefe da operação.

Muitos buscam se reinserir, mas os registros criminais atuam como uma barreira para a contratação. “A reincidência se deve em grande parte a isso”, explica Rondon.

O projeto busca apagar esse estigma e fazer com que a sociedade veja que eles estão prontos para conviver novamente. Que possam sair do ambiente pesado da prisão e aos poucos se acostumar a morar em outras áreas, complementa.

– Vistos como “seres humanos” –

Graças ao seu bom comportamento, Santos trabalha durante o dia fora da prisão há pelo menos cinco anos.

A recepção da sociedade tem sido fator fundamental para o seu processo de ressocialização.

“Aqui as pessoas nos tratam como seres humanos, como gente, não nos tratam como pessoas do sistema prisional. Só o fato de você ser tratado como ser humano, a cabeça da gente já muda”, desabafa.

“Errar é humano. Persistir no erro é burrice. Acho que todo mundo merece uma chance. Se a gente não tem uma chance para ser uma pessoa melhor amanhã, fica mais difícil”, concluiu.

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