O presidente Jair Bolsonaro (PL) coleciona falas de teor racista proferidas em diversos episódios da sua trajetória política. O caso mais recente ocorreu na segunda-feira (12) durante a sua participação no pool dos podcasts Dunamis, Hub, Felipe Vilela, Positivamente, Luma Elpidio e Luciano Subirá. Em um determinado momento, ele questionou se o apresentador Vilela era afrodescendente. O rapaz respondeu: “Eu sou”. “Tu é meio escurinho. Ah, isso é crime. Não ouviu falar que eu era racista, não?”, completou o atual mandatário, em tom de ironia.

Porém essa não foi a primeira vez em que Bolsonaro fez isso. A IstoÉ separou outras quatro frases preconceituosas do presidente.

‘Tu pesa o quê? Mais de sete arrobas’

No dia 22 de maio deste ano, o presidente Jair Bolsonaro conversava, como de costume, com os seus apoiadores na saída do Palácio da Alvorada, em Brasília (DF). Em um determinado momento, um simpatizante relatou ao mandatário que havia sido levantado por parte de uma multidão durante um de seus encontros. Então Bolsonaro respondeu: “Conseguiram te levantar, po**a? Tu pesa o quê? Mais de sete arrobas, né?”, perguntou, causando gargalhadas nos demais simpatizantes.

Vale ressaltar que arroba é uma unidade de medida usada na pesagem de bovinos e suínos.

Contudo o presidente usou essa expressão em outras duas circunstâncias. Em 2017, o então pré- candidato à Presidência da República Jair Bolsonaro afirmou durante uma palestra no Clube Hebraica, no Rio de Janeiro, que tinha ido em um quilombo e o “afrodescendente mais leve lá pesava sete arrobas. Não fazem nada. Eu acho que nem para procriador ele serve mais. Mais de R$ 1 bilhão por ano é gasto com eles”.

Por conta desse pronunciamento, Bolsonaro foi processado pelo Ministério Público Federal (MPF) por danos morais após ter sido acusado de racismo contra negros e quilombolas. Mas o Tribunal Regional Federal da 2ª Região (TRF-2) o inocentou na ação, em 15 de maio de 2019.
No ano de 2020, o chefe do Executivo perguntou ao deputado Hélio Lopes, conhecido como Hélio Negão, quantos arrobas ele pesava. “Era pancadaria o tempo todo qualquer palavra minha. Falei realmente, né, aquele negócio lá… ‘O Hélio, tudo bem? Tranquilo aí? Você pesa quantos arrobas, Hélio?”

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‘Olha o criador de barata’

Em outro episódio lastimável no ano de 2021, também durante conversa com apoiadores na saída do Alvorada, o presidente Jair Bolsonaro se dirigiu a um simpatizante negro com cabelo “black power” e perguntou: “Como está a criação de barata ai? Olha o criador de barata aqui”. “Você não pode tomar ivermectina (remédio que não tem comprovação científica contra a Covid-19) que vai matar seus piolhos”, completou o mandatário.

Na sequência outros apoiadores falaram em tom de brincadeira que o presidente poderia ser processado por essa frase. Então Bolsonaro debochou: “Quantas vezes você lava esse cabelo por mês?”

O simpatizante saiu em defesa do presidente ao afirmar que não era um “negro vitimista” e que Bolsonaro tinha intimidade para “brincar”. “O presidente tem essa intimidade para brincar, da mesma maneira que dá liberdade para o pessoal brincar.”

‘Esse é o livro dessa japonesa, que não sei o que faz no Brasil’

As falas preconceituosas do presidente Jair Bolsonaro também atingem os japoneses e seus descendentes. Em janeiro de 2020, ele atacou a jornalista Thaís Oyama por conta de seu livro “Tormenta – O governo Bolsonaro: Crises, intrigas e segredo”. Na época, o mandatário falou: “Esse é o livro dessa japonesa, que eu não sei o que faz no Brasil, que faz agora contra o governo”.

Depois, durante uma transmissão ao vivo, ele voltou a falar da jornalista com certa raiva: “Lá no Japão ela ia morrer de fome com jornalismo, escrevendo livro”.

Importante informar que Thaís é brasileira e neta de japoneses.

‘Tudo pequeninho aí?’

No dia 15 de maio de 2019, o presidente Jair Bolsonaro posou para foto com um rapaz estrangeiro de feição asiática no aeroporto de Manaus e disse ao fez um gesto com os dedos: “Tudo pequenininho aí?”.

Dias depois, ao dialogar sobre a reforma da Previdência durante um evento em Petrolina (PE), o presidente resolveu falar de novo sobre o órgão genital dos asiáticos: “Se for uma reforma de japonês, ele (ministro da Economia, Paulo Guedes) vai embora. Lá tudo é miniatura”.


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