Com a guerra no Oriente Médio entrando na segunda semana, o presidente do Irã, Masoud Pezeshkian, afirmou que Teerã jamais se renderá a Israel ou aos Estados Unidos.
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Em discurso transmitido pela televisão estatal no sábado (07/03), Pezeshkian chamou a rendição incondicional exigida pelo presidente dos EUA, Donald Trump, de “um sonho que eles deveriam levar para o túmulo”.
Na véspera, o chefe da Casa Branca condicionara um acordo com o Irã à rendição completa do país persa.
“Depois disso, e da seleção de um líder ou líderes excelentes e aceitáveis, nós, muitos de nossos maravilhosos e corajosos aliados e parceiros, trabalharemos incansavelmente para trazer o Irã de volta da beira da destruição, tornando-o economicamente maior, melhor e mais forte do que nunca”, escreveu na própria rede social.
O presidente Donald Trump sugeriu neste sábado (7) que os Estados Unidos atacariam o Irã “com muita força” e ameaçou ampliar os ataques para incluir novos alvos.
“Hoje o Irã será atingido com muita força!”, publicou Trump em sua plataforma Truth Social.
“Sob séria consideração para a destruição completa e morte certa, por causa do mau comportamento do Irã, estão áreas e grupos de pessoas que não eram considerados como alvos até este momento”, ameaçou.
“Rendição incondicional”
O presidente da EUA, Donald Trump, exigiu nesta sexta-feira (06/03) a “rendição incondicional” do Irã e afirmou que pretende se envolver tanto na escolha dos futuros dirigentes como na reconstrução do país.
Teerã, por outro lado, disse que está em curso uma tentativa de mediação por outras nações para o fim do conflito.
“Não haverá acordo com o Irã, apenas uma RENDIÇÃO INCONDICIONAL! Depois disso, e da escolha de um ou mais líderes ÓTIMOS E ACEITÁVEIS, com muitos parceiros e aliados maravilhosos e muito corajosos, trabalharemos incansavelmente para reconstruir o Irã, tornando-o economicamente maior, melhor e mais forte que nunca”, escreveu Trump em sua rede, a Truth Social.
“TORNEMOS O IRÃ GRANDE DE NOVO!”, acrescentou o presidente americano, adaptando seu lema de campanha “Make America Great Again (tornar os EUA grandes de novo)”.
Já o presidente do Irã, Masoud Pezeshkian, disse na rede social X que “alguns países iniciaram esforços de mediação”, sem dar detalhes.
“Sejamos claros: estamos comprometidos com a paz duradoura na região, mas não temos a menor hesitação em defender a dignidade e a autoridade do nosso país. A mediação deve dirigir-se àqueles que subestimaram o povo iraniano e desencadearam este conflito”, acrescentou Pezeshkian.
No sistema iraniano, o presidente está subordinado ao líder supremo, mas Pezeshkian agora faz parte de um colegiado de líderes que assumiu provisoriamente as funções do aiatolá Khamenei, morto por ataques de Israel e Estados Unidos no último sábado (28/02).
Na quinta, Trump já havia afirmado, em entrevista à agência de notícias Reuters, que teria direito de ajudar a escolher o próximo líder do Irã – que, pelas regras atuais, é sempre um clérigo muçulmano xiita sênior escolhido por um painel de especialistas religiosos.
“Teremos que escolher essa pessoa junto com o Irã. Teremos que escolher essa pessoa”, disse o presidente americano na ocasião.
Israel tem dito abertamente que o objetivo dos ataques é derrubar o governo do Irã. Washington tem sido mais cauteloso, afirmando que tem como meta eliminar a capacidade do Irã de projetar força além de suas fronteiras, ao mesmo tempo em que convida os iranianos a se rebelarem e derrubarem o governo de Teerã.
Novo presidente iraniano
Pezeshkian é um dos três membros de um conselho de liderança interina que governa o Irã após a morte do aiatolá Ali Khamenei, que ocupava o posto de líder supremo.
O presidente também pareceu tentar aplacar a tensão com países vizinhos pelos ataques da última semana, mesmo enquanto mísseis e drones iranianos seguiam em direção a Estados árabes do Golfo.
“Devo pedir desculpas em meu próprio nome e em nome do Irã aos países vizinhos que foram atacados pelo Irã”, afirmou.
Seu discurso sugeriu que a liderança política de Teerã não consegue exercer controle total sobre as forças armadas da República Islâmica. A Guarda Revolucionária, que controla os mísseis balísticos que atingem Israel e outros alvos, respondia apenas a Khamenei e aparentemente escolhe os próprios alvos à medida que o conflito se amplia.
“De agora em diante, eles (as Forças Armadas) não devem atacar países vizinhos nem disparar mísseis contra eles, a menos que sejamos atacados por esses países. Acho que devemos resolver isso por meio da diplomacia.”
Um conselho interino foi formado para governar o Irã após a morte de Khamenei e até a eleição de um novo líder supremo. Colegiado inclui o presidente Massoud Pezeshkian, o chefe do Judiciário, Gholamhossein Mohseni Eje, e o aiatolá Alireza Arafi.
Reza Pahlavi, filho do último xá do Irã e uma das figuras de oposição mais proeminentes do país no exílio, voltou a se apresentar como potencial futuro líder. Trump, contudo, disse preferir nome “de dentro do país”. Na quinta (05/03), disse que os EUA teriam que escolher o próximo aiatolá “junto com o Irã”.
Oito dias de guerra
Os ataques dos Estados Unidos e de Israel ao Irã no último fim de semana miraram lideranças iranianas e mataram o líder supremo, o aiatolá Ali Khamenei, o ex-presidente Mahmoud Ahmadinejad e vários chefes militares.
O Irã prometeu vingar a morte de Khamenei e lançou mísseis contra Israel e bases militares americanas, portos e aeroportos no Golfo Pérsico, atingindo países aliados dos EUA na região.
Guarda Revolucionária iraniana diz ter destruído base dos EUA no Bahrein.
Total de mortos já passou de 1.400 em nove países; destes, mais de 1.200 foram no Irã, e outros mais de 200 no Líbano.
Israel diz ter destruído bunker usado por líderes iranianos
As Forças de Defesa de Israel (IDF) anunciaram na sexta-feira (06/03) que atacaram e destruíram o bunker militar subterrâneo do líder supremo do Irã, aiatolá Ali Khamenei, morto no primeiro dia dos ataques israelenses e americanos ao país.
O Exército israelense afirma que lideranças iranianas de alto escalão continuaram a usar as instalações após a morte de Khamenei, por considerá-las “um lugar seguro”.
“Estavam enganados”, afirmou a porta-voz Effie Defrin. Ela descreveu a destruição do complexo subterrâneo localizado sob prédios do governo no centro de Teerã como mais um golpe contra a liderança do regime.
Acredita-se que o complexo se estenda sob várias ruas, inclusive sob uma área residencial, e tenha inúmeras entradas, disse Defrin.
O ataque mobilizou cerca de 50 caças da Força Aérea Israelense. Testemunhas em Teerã relataram fortes explosões e tremores intensos que puderam ser sentidos em muitos prédios de apartamentos.
Inicialmente, não houve relatos de vítimas. Nos últimos dias, Israel também atacou importantes edifícios governamentais que estariam localizados acima do complexo de bunkers.
*Com informações de Deutsche Welle e AFP