Ediçao Da Semana

Nº 2741 - 05/08/22 Leia mais

O presidente do Equador, o direitista Guillermo Lasso, evitou um processo de destituição no Congresso na terça-feira, no mesmo dia em que suspendeu as negociações com o principal líder indígena para acabar com os protestos pelo custo de vida, que completaram 16 dias.

Uma moção para afastar o presidente do cargo, por motivos constitucionais de “grave crise política e comoção interna”, recebeu 80 dos 92 votos necessários, segundo a Assembleia Nacional.

“Defendemos a democracia e agora devemos recuperar a paz”, disse Lasso após a votação.

O Congresso debatia desde sábado o pedido de impeachment apresentado pelo partido de oposição União pela Esperança (Unes), a principal formação da Assembleia, com 47 cadeiras e vinculado ao ex-presidente socialista Rafael Correa (2007-2017).

“Apesar das tentativas golpista, hoje prevaleceu a institucionalidade do país. Está evidente quem trabalha para as máfias políticas. Enquanto isso, nós continuamos trabalhando para o Equador”, acrescentou o presidente, de 66 anos.

Durante a manhã, Lasso suspendeu as negociações com o líder da poderosa Confederação de Nacionalidades Indígenas (Conaie), Leonidas Iza, que estimula os protestos.

Lasso tomou a decisão depois que um soldado morreu e 12 ficaram feridos em um ataque de manifestantes contra militares na Amazônia.

“Não vamos nos sentar para conversar com Leonidas Iza novamente, que só defende seus interesses políticos e não os de suas bases (…) Não vamos negociar com quem mantém o Equador refém”, declarou o presidente.

A Conaie, respondeu acusando Lasso de “autoritarismo, falta de vontade e incapacidade” e disse que ele terá que responder pelas “consequências de sua política belicista”.

O secretário da OEA, Luis Almagro, afirmou no Twitter que os “protestos devem ser pacíficos e democráticos (…) A desestabilização violenta de um governo democrático é sempre condenável”.

Os indígenas e o governo mantêm uma queda de braço há mais de duas semanas, sem chegar a acordos para desmontar a crise.

O elevado custo de vida alimentado pelo aumento dos preços dos combustíveis levou às ruas desde 13 de junho cerca de 14 mil manifestantes às ruas, a maioria em Quito. Eles exigem medidas que aliviem o golpe econômico na produção agrícola e na cesta básica.

Marchas festivas, bloqueios de estradas, e confrontos violentos entre a força pública e os indígenas pressionam o impopular presidente Lasso, que tem apenas 17% de aprovação.

Ele reduziu os preços dos combustíveis, embora não na proporção pedida pelos manifestantes; concedeu uma moratória para dívidas de até US$ 3.000 para os camponeses e levantou o estado de exceção, sob o qual os militares deixaram os quartéis em seis das 24 províncias do país e foi imposto um toque de recolher em Quito.