Presidente do Equador acusa colombiano Petro de promover ‘incursão’ guerrilheira

Países vivem crise diplomática

AFP
O presidente do Equador, Daniel Noboa Foto: AFP

O presidente do Equador, Daniel Noboa, acusou nesta quarta-feira (29) seu par colombiano, Gustavo Petro, de promover uma “incursão” guerrilheira pela fronteira, o que aumenta a tensão em meio a uma crise comercial e diplomática entre os dois países.

Quito e Bogotá estão em conflito desde fevereiro devido às críticas do direitista Noboa sobre a suposta falta de ajuda de Petro no combate ao narcotráfico e à criminalidade na fronteira comum.

“Várias fontes nos informaram sobre uma incursão pela fronteira norte de guerrilheiros colombianos, impulsionada pelo governo de Petro. Vamos proteger nossa fronteira e nossa população”, escreveu Noboa na rede social X.

O presidente equatoriano não apresentou provas nem especificou a data ou o local onde a suposta incursão teria sido detectada.

Nesta semana, Petro também fez acusações contra Noboa, a quem atribui ingerência nas campanhas presidenciais para favorecer a direita antes das eleições de 31 de maio.

Além disso, sugeriu que os explosivos usados em um atentado com bombas no sábado – que deixou 21 civis mortos – vieram do Equador.

Guerrilheiros dissidentes das extintas Farc assumiram a autoria do ataque e afirmaram que ocorreu em meio a combates com o Exército, sendo resultado de um “erro tático”.

“Presidente Petro, dedique-se a melhorar a vida do seu povo em vez de querer exportar problemas para países vizinhos”, escreveu Noboa.

Mais cedo, o presidente colombiano havia publicado imagens de Noboa ao lado de líderes da direita colombiana: “Noboa é o responsável por desestabilizar a Colômbia”, escreveu na rede social X.

Segundo o governante equatoriano, Petro não fez o suficiente para conter o narcotráfico na fronteira de 600 quilômetros que os dois países compartilham. Ao longo dessa linha fronteiriça operam grupos dedicados ao narcotráfico, ao tráfico de pessoas, à mineração ilegal e ao contrabando.

Desde abril, Quito elevou para 100% o imposto sobre importações colombianas, e Bogotá respondeu com uma medida semelhante.

Além disso, os governos convocaram seus embaixadores para consultas.