Internacional

Presidente de grego

Vitória de líder conservador encerra turbulento ciclo político na Grécia, que passou pelo populismo de esquerda e três planos econômicos

Crédito: Thanassis Stavrakis

DIREITA, VOLVER Konstantinos Mitsotakis comemora a vitória mais expressiva obtida por um partido grego desde 1981 (Crédito: Thanassis Stavrakis)

A vitória do conservador Konstantinos Mitsotakis na primeira eleição legislativa da Grécia desde 2015 foi recebida com alívio na Europa. O país era governado há quatro anos pelo esquerdista Alexis Tsipiras, do partido Syriza. Ele havia assumido em meio a uma grave crise econômica que deixou a nação perto de declarar seu próprio Grexit — a versão helênica do Brexit. Agora, o triunfo de um partido tradicional, comprometido com as normas europeias e pró-mercado, renova a confiança no futuro da União Europeia. A aliança vive uma época turbulenta pela ascensão do populismo de direita, do nacionalismo e pela fragilidade das lideranças tradicionais.

EM BAIXA O ex-premiê Alexis Tsipiras era uma das estrelas da esquerda radical europeia, junto com o britânico Jeremy Corbin (Crédito:Yorgos Karahalis)

Mitsotakis tomou posse como primeiro-ministro na segunda-feira 8, depois de seu partido Nova Democracia vencer as eleições no país oito dias antes, com quase 40% dos votos. Conquistou 158 cadeiras no Parlamento, maior margem de vitória para um partido grego desde 1981 — o Syriza ficou com apenas 68 assentos. Mitsotakis propõe baixar impostos, atrair investimentos, gerar empregos e aumentar salários.

Harvard e stanford

O novo premiê não poderia ter um perfil mais distante de seu antecessor. Tsipiras era uma das estrelas da nova esquerda europeia, junto com Jeremy Corbin, no Reino Unido, Jean-Luc Mélenchon, na França, e o partido Podemos, na Espanha — todos em baixa. Já Mitsotakis é formado em Harvard e em Stanford e foi consultor da McKinsey, em Londres. Vem de uma família tradicional de políticos ­ — seu pai foi primeiro-ministro de 1990 a 1993. Também já havia participado do governo conservador que antecedeu o governo Tsipiras, quando mostrou rigor demitindo 15 mil funcionários públicos.

Desde 2010 a Grécia está mergulhada em uma crise fiscal, com uma dívida superior a 180% do PIB, o que a fez recorrer três vezes à ajuda dos países da União Europeia. Estes exigiram em contrapartida cortes nas despesas públicas. O último plano de ajuste fiscal foi encerrado em 2018.

Desemprego na Grécia chega a 18%, maior taxa da zona do euro

O desencanto com o partido do ex-premiê já havia sido demonstrado nas últimas eleições do Parlamento Europeu. Tsipiras endividou ainda mais o país e não conseguiu resolver o problema do desemprego, que chega a 18% — o maior da zona do euro. Um eventual triunfo da agenda reformista do novo primeiro-ministro pode recolocar o país na rota do crescimento — Angela Merkel e Emmanuel Macron agradecem.