Presença de líderes põe desafio diplomático para abertura dos Jogos de Inverno

ROMA, 3 FEV (ANSA) – A cerimônia de abertura dos Jogos Olímpicos de Inverno de Milão e Cortina d’Ampezzo, no próximo dia 6 de fevereiro, no lendário estádio San Siro, promete ser muito mais do que um espetáculo esportivo.   

Com a confirmação da presença do secretário-geral da ONU, António Guterres, e de aproximadamente 50 chefes de Estado, de governo e membros de casas reais, o evento será também um delicado exercício diplomático, refletindo as complexas relações internacionais do momento.   

A segurança é a principal preocupação das autoridades italianas, que estabeleceram um protocolo rigoroso para as equipes estrangeiras, na esteira dos protestos contra a presença de agentes do controverso Serviço de Imigração e Alfândega dos Estados Unidos (ICE) na comitiva do vice-presidente J.D. Vance e do secretário de Estado Marco Rubio.   

Também falou-se nos últimos dias em uma possível presença de membros da Guarda Revolucionária do Irã, recém-designada como grupo terrorista pela União Europeia, na delegação do país persa.   

Os desafios, porém, não se limitam a nações abertamente hostis entre si, como Irã e Israel ou Ucrânia e Rússia. Até aliados históricos, como França e Estados Unidos – cujas relações esfriaram devido à crise da Groenlândia – apresentam um quebra-cabeça logístico.   

O protocolo prevê que os líderes sejam acomodados no estádio em ordem alfabética dos países, com os representantes das próximas sedes dos Jogos de Inverno ? França (2030) e EUA (2034) ? lado a lado.   

A perspectiva de colocar o presidente francês, Emmanuel Macron (cuja presença ainda não está confirmada), ao lado de Vance é considerada uma opção delicada, e cogita-se acomodar o chefe do Palácio do Eliseu perto de representantes de Salt Lake City, sede das Olimpíadas de 2034, o que garantiria o respeito do protocolo e evitaria constrangimentos.   

Na quinta-feira (5), a presidente do Comitê Olímpico Internacional (COI), Kirsty Coventry, oferecerá um jantar para os chefes de Estado e de governo na Fabbrica del Vapore, antiga fábrica de trens transformada em espaço de eventos, com as presenças do presidente da Itália, Sergio Mattarella, e da premiê Giorgia Meloni.   

Na manhã do dia 6, será inaugurada a “Casa Itália” em Milão, onde o ministro do Esporte do país, Andrea Abodi, receberá seus homólogos de outras nações para um coquetel, também com a participação de Meloni e Mattarella. Em seguida, a comitiva seguirá para o San Siro.   

Além de Guterres, Vance e Rubio, também devem marcar presença na abertura o presidente da Alemanha, Frank-Walter Steinmeier; o presidente da Suíça, Guy Parmelin; o emir do Catar, Tamim bin Hamad Al Thani; o príncipe jordaniano Faisal Bin Al Hussein; e a conselheira de Estado da China, Shen Yiqin. (ANSA).