A Câmara Brasileira do Livro (CBL) anuncia os vencedores da 3ª edição do Prêmio Jabuti Acadêmico. A cerimônia de premiação ocorreu na noite desta terça-feira, 11, no Teatro Sérgio Cardoso, em São Paulo, celebrando obras acadêmicas, científicas e técnicas. A iniciativa visa ampliar a visibilidade de autores e editoras desses segmentos.
- A 3ª edição do Prêmio Jabuti Acadêmico premia obras científicas e técnicas de destaque no Brasil.
- O físico e professor José Goldemberg é reconhecido como a Personalidade Acadêmica da edição.
- A obra “História das Mulheres no Brasil”, de Mary Del Priore, é laureada como Livro Acadêmico Clássico 2026.
Criada em 2024, a premiação do Prêmio Jabuti Acadêmico contou com 27 categorias, divididas em dois eixos principais: Ciência e Cultura, e Prêmios Especiais. As obras premiadas abordam uma diversidade de desafios contemporâneos e questões históricas que ainda reverberam na atualidade.
Entre os temas contemplados pelos vencedores estão a crise climática, desigualdade social, ditadura militar e a valorização de saberes tradicionais indígenas e africanos. A seleção destaca a relevância e o impacto das pesquisas e produções acadêmicas no cenário nacional.
Quais obras foram premiadas?
Na categoria Antropologia, Sociologia, Demografia, Ciência Política e Relações Internacionais, a obra vencedora foi O jeito Yanomami de pendurar redes (Editora Perspectiva), de Thiago Benucci. Já na categoria Economia, o prêmio foi concedido a A loteria do nascimento: filha do porteiro termina universidade, mas não alcança filho do rico (Editora Jandaíra), escrita por Fillipi Nascimento e Michael França.
Para Ciências Agrárias e Ciências Ambientais, o destaque foi para o título Saúde do solo em ecossistemas tropicais: a base para mitigação e adaptação às mudanças climáticas (Editora Fundação de Estudos Agrários Luiz de Queiroz), de Carlos Eduardo Pellegrino Cerri, Carlos Roberto Pinheiro Junior, Lucas Pecci Canisares e Maurício Roberto Cherubin.
Em Ciências da Religião e Teologia, Brasil africano: orixás, sacerdotes, seguidores (Editora Pallas), de Reginaldo Prandi, levou o prêmio. A categoria Comunicação e Informação reconheceu Crime sem castigo: como os militares mataram Rubens Paiva (Editora Matrix), de Juliana Dal Piva, com o primeiro lugar.
Vencedores e o reconhecimento da CBL
Os autores cujas obras foram premiadas recebem a estatueta do Jabuti Acadêmico e um prêmio em dinheiro no valor de R$ 5 mil. As editoras responsáveis pelas publicações vencedoras também são agraciadas com a estatueta do prêmio.
Sevani Matos, presidente da CBL, expressou a importância do reconhecimento. “É motivo de muita comemoração reconhecer obras de alta qualidade que evidenciam a força da pesquisa e da produção editorial acadêmica no Brasil. Os trabalhos refletem a diversidade de temas, perspectivas e contribuições que enriquecem o debate acadêmico e ampliam a produção de conhecimento”, afirmou Matos.
Quem foi o homenageado da noite?
O físico, professor e pesquisador José Goldemberg foi o grande homenageado da noite, sendo anunciado pela CBL como a Personalidade Acadêmica desta 3ª edição do prêmio. Goldemberg esteve presente na cerimônia para receber sua estatueta, em reconhecimento à sua vasta trajetória científica, liderança acadêmica e contribuição significativa para a ciência, políticas públicas e sustentabilidade.
Em seu discurso, José Goldemberg destacou sua formação em instituições públicas brasileiras. “Sou um produto típico da educação pública e laica do Brasil. Escola primária em Porto Alegre, ginásio no Colégio Estadual Júlio de Castilhos, de forte influência positivista, para quem a ciência é o motor da história, e Universidade de São Paulo (USP), em 1945”, relatou o professor. Ele mencionou sua vocação para a ciência desde cedo, impulsionada pela curiosidade de descobrir a causa das coisas.
Após 20 anos dedicados à pesquisa em física nuclear na USP e em universidades estrangeiras como Stafford e Paris, Goldemberg direcionou sua atenção para estudos sobre energia, meio ambiente e mudanças climáticas, participando ativamente da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) em defesa da ciência. “Como reitor da USP, de 1986 a 1990, tentei recuperar o nível acadêmico e científico que ela havia tido e perdido no período autoritário”, pontuou.
O pesquisador também salientou seu trabalho em fontes de energia renováveis e biocombustíveis, que culminou na coautoria do livro “Energy for a Sustainable World” (1988), uma obra de referência global na transição energética. Goldemberg finalizou seu discurso dedicando o prêmio: “Divido esse prêmio com cada colega, aluno e instituição que ousa acreditar que o futuro do Brasil se constrói com educação pública, ciência e coragem”.
A CBL ressaltou que, ao longo de mais de sete décadas, José Goldemberg consolidou-se como uma das principais referências da ciência brasileira e internacional nas áreas de física, energia, meio ambiente e educação. Sua atuação foi crucial para projetar o programa brasileiro de biocombustíveis globalmente, tornando-o um modelo de transição energética e desenvolvimento sustentável.
Entre os diversos reconhecimentos de Goldemberg, destacam-se o Blue Planet Prize (Japão, 2008), um dos mais importantes prêmios ambientais internacionais, e o Trieste Science Prize, da Academia Mundial de Ciências (TWAS), em 2010.
Livro acadêmico clássico
Além das premiações e da homenagem a Goldemberg, a noite também celebrou a obra História das Mulheres no Brasil, da historiadora, escritora e professora brasileira Mary Del Priore. O título recebeu o reconhecimento como o Livro Acadêmico Clássico 2026.
Essa categoria tem o objetivo de homenagear obras que possuem relevância permanente para a produção do conhecimento no país, destacando títulos que marcaram gerações de pesquisadores, estudantes e leitores. A escolha de História das Mulheres no Brasil foi feita pela diretoria da CBL após um processo de consulta pública inicial.