Premier italiano visita cidade de terremoto e é cobrado

ARQUATA DEL TRONTO, 14 AGO (ANSA) – Às vésperas do aniversário de um ano do terremoto de magnitude 6.0 na escala Richter que atingiu o centro da Itália em 24 de agosto de 2016, o primeiro-ministro Paolo Gentiloni visitou nesta segunda-feira (14) a cidade de Arquata del Tronto, uma das mais afetadas, em meio a críticas de prefeitos sobre a resposta do governo à catástrofe.   

Antes da chegada do premier, Sergio Pirozzi, chefe municipal de Amatrice, devastada pelo tremor do ano passado, reclamara da demora de Roma para cumprir a promessa de estabelecer zonas francas nas chamadas “áreas vermelhas”, os locais que mais sofreram com a destruição provocada pelo terremoto.   

“Nos enrolaram, o governo nos prometeu isenção total para empresas, mas deu só um crédito fiscal”, declarou Pirozzi. O prefeito de Arquata del Tronto, Aleandro Petrucci, fez coro com o colega. “Nós, das crateras, esperávamos mais, tínhamos pedido uma zona franca para as áreas vermelhas, para obtermos isenção total. Mas isso não aconteceu”, disse.   

Questionado por jornalistas durante sua visita à cidade, Gentiloni preferiu não alimentar a discussão e garantiu que está disposto a analisar as observações dos municípios. “Se pudermos fazer mais, estaremos disponíveis a conversar, com Pirozzi, que merece nosso apoio, e com todos os prefeitos. Não posso descartar que haja dificuldades, ou seria louco, mas temos um bom projeto, recursos e o empenho de todos”, acrescentou.   

O governo alega que o crédito fiscal é o sistema por meio do qual a União Europeia permite que um Estado-membro isente empresas ou pessoas físicas do pagamento de impostos por um determinado período. “O governo respeitará o compromisso assumido até o fim”, declarou o comissário para a reconstrução das áreas atingidas, Vasco Errani.   

A visita de Gentiloni foi realizada por ocasião da inauguração de 16 casas para famílias desalojadas pelo terremoto e do início da operação do Exército para remover entulhos, ao ritmo de 500 toneladas por dia. Até o fim de setembro, serão pelo menos 300 militares trabalhando para retirar os escombros.   

“A remoção dos entulhos é um dos temas mais importantes do percurso da reconstrução, um sinal indispensável para se conseguir olhar para o futuro”, salientou o primeiro-ministro, que ainda ganhou um pedaço de torta de uma senhora de 72 anos beneficiada pelas novas moradias.   

“Tenho certa idade e luto para viver e ver minha casa reconstruída. Hoje, no entanto, é um belíssimo dia para mim”, disse a idosa Anna. O terremoto de 24 de agosto inaugurou uma sequência sísmica que permanece ativa até hoje e já deixou 333 mortos no centro da Itália, além de ter provocado 23 bilhões de euros em danos. (ANSA)