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Premiê húngaro é criticado pela gestão da segunda onda do coronavírus

Premiê húngaro é criticado pela gestão da segunda onda do coronavírus

Paciente atendido em hospital de Budapeste em 27 de agosto de 2020 - AFP

A Hungria do primeiro-ministro Viktor Orban, que durante a primavera decretou um estado de emergência estrito, parece ter relaxado na segunda onda da pandemia de coronavírus, uma estratégia que provoca dúvidas no momento em que boa parte da Europa endurece as restrições.

Com exceção do fechamento das fronteiras, a vida parece quase normal nas ruas de Budapeste, apesar do aumento do diário do número de mortes.

Durante a primeira onda, o país, membro da União Europeia (UE), registrou um número relativamente pequeno de casos e mortes provocadas pelo coronavírus em comparação com outros países do continente.

Em outubro, porém, já morreram mais húngaros de covid-19 do que nos quatro meses anteriores juntos, e os casos de contágio também registram aceleração. A ministra da Justiça, Judit Varga, testou positivo para a doença esta semana.

De acordo com dados do Centro Europeu para o Controle de Doenças, em 19 de outubro a Hungria registrava a terceira maior taxa de mortalidade por covid-19 do bloco, atrás apenas da República Tcheca e da Romênia.

Especialistas atribuem os números à mudança de política do governo, que durante o verão (hemisfério norte) não anunciou medidas rígidas sobre o uso de máscara, limitação das reuniões e das viagens ao exterior, assim como à atitude complacente da população.

“Após o medo inicial, a segunda onda não gerou temor na população, que está muito menos disciplinada”, afirmou Bela Merkely, diretor de uma universidade de Medicina de Budapeste.

Um ministro foi visto em um iate na Croácia, e o porta-voz do partido governante Fidesz foi infectado durante uma grande festa.

– Não aos turistas, sim ao futebol –

A partir de 1o de setembro, com poucas exceções, os não residentes foram proibidos de entrar na Hungria para “cortar a linha transmissão”, justificou o primeiro-ministro nacionalista.

Orban culpou os estrangeiros pela segunda onda, assim como havia feito em março, quando afirmou que um estudante iraniano foi o primeiro infectado no país.

Em 24 de setembro, porém, milhares de torcedores alemães e espanhóis viajaram para Budapeste para a Supercopa da Uefa, em um “projeto piloto” destinado a testar os protocolos para permitir o retorno do público aos estádios.

O país está longe da atitude adotada durante a primeira onda, quando o governo instaurou um confinamento rígido e decretou “estado de emergência”. A legislação foi revogada em junho e as restrições flexibilizadas.

“As pessoas querem que a Hungria continue funcionando, temos que preservar a economia e salvar vidas”, disse o primeiro-ministro em setembro.

“Os húngaros deixaram claro que não queriam a máscara, nem o confinamento. Orban pode ‘lavar as mãos’, se a situação ficar complicada”, disse à AFP o opositor Akos Hadhazy.

“Orban percebe que, se a economia entrar em colapso, isto pode custar a próxima eleição em 2022”, completa.

No segundo trimestre, o Produto Interno Bruto (PIB) húngaro registrou queda de 13,6%, o pior resultado dos países do Grupo de Visegrado (República Tcheca, Hungria, Polônia e Eslováquia).

Orban garante que os hospitais estão preparados para um aumento dos pacientes.

O país comprou 16.000 respiradores, e o governo propôs aos médicos dobrar seus salários, uma medida inédita desde 1990.

Apesar do discurso tranquilizador, a confusão é grande, em particular nas escolas.

O Sindicato Democrático de Professores (PDSZ) denuncia que vários professores foram obrigados a trabalhar apesar da presença de alunos com sintomas leves nas salas de aula.

“Os contatos e os professores não são isolados. Os pais e as outras crianças não são informados”, afirma o PDSZ.

As autoridades não conseguem organizar testes rápidos e em larga escala, muito menos rastrear os contatos, aponta o ex-ministro da Saúde Ferenc Falus.

Na UE, apenas a Bulgária faz menos testes por 1.000 habitantes que a Hungria, de acordo com o ECDC.

“As estatísticas dos casos de contágio não refletem a realidade”, disse à AFP um médico de Budapeste que pediu anonimato.

“Manter as fronteiras fechadas protege os estrangeiros dos húngaros, e não o contrário”, resume Falus.

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