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Premiê do Japão pede ação construtiva do Irã no Oriente Médio

Premiê do Japão pede ação construtiva do Irã no Oriente Médio

O presidente iraniano, Hassan Rohani (D) recebe o premier japonês, Shinzo Abe, em Teerã, no dia 12 de junho de 2019. - afp/AFP

O primeiro-ministro japonês, Shinzo Abe, pediu nesta quarta-feira a Teerã que tenha um “papel construtivo” para a paz no Oriente Médio, em uma incomum missão diplomática na República Islâmica, em meio à tensão entre Irã e Estados Unidos.

“É essencial que o Irã exerça um papel construtivo no estabelecimento de uma paz sólida e estável no Oriente Médio”, declarou Abe em entrevista coletiva, após se encontrar com o presidente iraniano, Hassan Rohani.

“Ninguém quer uma guerra. O Japão quer ter um papel de primeiro plano para reduzir a tensão (…) e um confronto é preciso se evitar de qualquer maneira”, disse Abe, avaliando que “a paz e a estabilidade no Oriente Médio são indispensáveis para a prosperidade da região e de todo o mundo”.

Rohani avaliou que a “raiz” das tensões na região está “na guerra econômica dos Estados Unidos contra o Irã”. “Quando isto acabar, veremos uma mudança muito positiva na região e no mundo”.

“Jamais deflagraremos uma guerra, mesmo contra os Estados Unidos, mas daremos uma resposta demolidora se formos atacados”, advertiu Rohani.

O líder iraniano destacou que Japão e Irã tem a mesma posição em relação às armas nucleares: “os dois países são contra”.

Abe expressou seu “profundo respeito pelo fato de o guia supremo do Irã, aiatolá Ali Khamenei, ter emitido uma fátua dizendo que ‘a arma nuclear e qualquer outra arma de destruição em massa são contrárias ao Islã'”.

Abe chegou nesta quarta-feira a Teerã para uma visita inédita de pouco mais de 24 horas, com o objetivo de reduzir a tensão entre Irã e Estados Unidos.

Primeiro chefe de governo do Japão a visitar o Irã desde a Revolução de 1979, Abe se reunirá na quinta-feira com Khamenei.

O Japão é um aliado-chave dos Estados Unidos, rival do Irã. Ao mesmo tempo, Tóquio mantém uma boa relação com Teerã.

“Em um contexto de preocupação com as crescentes tensões no Oriente Médio que chamam a atenção da comunidade internacional, o Japão espera fazer o melhor possível para a paz e a estabilidade na região”, disse Abe à imprensa antes da viagem.

Segundo uma fonte do Ministério japonês das Relações Exteriores, a viagem de Abe se destina, primeiramente, a “fazer baixar as tensões” entre Irã e Estados Unidos e “consolidar a amizade” entre os dois países. O objetivo é mostrar a disposição do Japão “para contribuir para a paz no Oriente Médio”.

A visita coincide com o aumento da tensão entre Teerã e Washington. Em maio de 2018, o presidente americano, Donald Trump, retirou os EUA do acordo sobre o programa nuclear iraniano de 2015, o que provocou novas sanções econômicas ao Irã.

Washington também reforçou a presença militar no Golfo e pressionou países aliados, como o Japão, a interromperem a compra de petróleo iraniano.

O porta-voz do governo japonês informou que Abe conversou com Trump por telefone na terça-feira. Uma das questões abordadas foi a situação no Irã.

Ali Rabii, porta-voz do governo iraniano, declarou que a visita de Abe acontece no “âmbito da relação tradicional e antiga entre os dois países”.

O Japão é bem-visto por Teerã, uma vez que conseguiu se modernizar sem renunciar às suas tradições e conservando uma forte identidade cultural.

Abe também utilizará esta viagem para fazer valer os interesses de seu país. Antes do restabelecimento das sanções americanas, o Japão importava cerca de 5% de seu petróleo bruto do Irã.

A visita oferece ainda uma rara ocasião ao líder japonês de desempenhar um papel importante no cenário internacional, após várias decepções neste campo.

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