Premiê da Itália depõe sobre pandemia por mais de 3 horas

ROMA, 12 JUN (ANSA) – Durou mais de três horas a audiência do primeiro-ministro da Itália, Giuseppe Conte, com procuradores de Bergamo sobre um inquérito que apura as causas da disseminação do coronavírus Sars-CoV-2 no país.   

Maria Cristina Rota, Paolo Mandurino, Silvia Marchina e Fabrizio Gaverini, do Ministério Público bergamasco, chegaram ao Palácio Chigi, sede do governo italiano, por volta de 9h45 (horário local) e conversaram com Conte até quase 13h30.   

Os procuradores também ouvirão os ministros da Saúde, Roberto Speranza, e do Interior, Luciana Lamorgese. Nenhum dos representantes do governo é investigado neste momento, e todos serão interrogados como “testemunhas informadas sobre os fatos”.   

O inquérito quer descobrir por que não foi instituída uma “zona vermelha” nas cidades de Nembro e Alzano Lombardo, primeiros focos de contágio na província de Bergamo. O MP já registrou, na semana passada, os depoimentos do governador da Lombardia, Attilio Fontana, e do secretário de Bem-Estar Social da região, Giulio Gallera.   

Na ocasião, Fontana foi recebido na sede do Ministério Público de Bergamo sob protestos e disse que a decisão de instituir uma “zona vermelha” cabia ao governo da Itália.   

“Zona vermelha” – Assim que foram descobertos os primeiros casos de transmissão interna do Sars-CoV-2 no país, no fim de fevereiro, o governo italiano transformou 11 cidades, sendo 10 na Lombardia e uma no Vêneto, em “zonas vermelhas”, com bloqueios para impedir a entrada e saída de pessoas e até toque de recolher.   

A mesma medida, no entanto, não foi tomada em Nembro e Alzano Lombardo, também na Lombardia. Os dois municípios só entraram em quarentena em 9 de março, com o restante da região, e as outras partes do país começaram o lockdown no dia seguinte.   

O sistema de “zona vermelha”, revogado nas 11 cidades com o início da quarentena nacional, tinha regras mais rígidas do que as que vigoraram até meados de maio em toda a Itália. O lockdown dos últimos meses permitia a saída de casa por motivos de trabalho, para comprar alimentos e até para se exercitar, e nunca houve um toque de recolher que cobrisse todo o território italiano.   

Na última quarta-feira (10), um comitê de familiares de vítimas da pandemia chamado Noi Denunceremo apresentou cerca de 50 denúncias ao MP de Bergamo, mas sem acusar ninguém em específico. Ainda assim, o grupo acredita que as autoridades não fizeram tudo o que podiam para controlar a pandemia.   

As ações citam a suposta falta de informações para os pacientes e parentes sobre os riscos de infecção, especialmente no início da crise; a ausência de dispositivos de proteção em hospitais; e a escassez de médicos para a gestão domiciliar de doentes sem necessidade de internação.   

Além disso, questionam as decisões de não fechar o hospital de Alzano Lombardo e de não instituir um lockdown imediato no Vale Seriana, onde fica a cidade. “Queremos buscar a verdade sobre o que aconteceu para identificar os responsáveis e obter justiça”, disse na quarta-feira o presidente do comitê, Luca Fusco, que perdeu o pai na pandemia.   

Bergamo é a quarta província com mais casos na Itália em termos absolutos, com 13,7 mil, atrás de Milão (23,6 mil), na Lombardia, Turim (15,7 mil), no Piemonte, e Brescia (15,2 mil), também na Lombardia. (ANSA)