A Prefeitura de São Paulo negou que o programa de videomonitoramento Smart Sampa tenha apresentado falha de segurança após uma reportagem revelar a exposição, na internet, de dados ligados à plataforma. A gestão municipal atribuiu o episódio à conduta de um servidor, que teria sido identificado e afastado, e informou que o caso está sob apuração da Corregedoria da Guarda Civil Metropolitana (GCM).
A controvérsia teve início após a divulgação de que informações disponíveis em um repositório público poderiam permitir acesso a câmeras integradas ao sistema. Segundo a reportagem, o material envolvia dados operacionais da rede de monitoramento, que reúne dezenas de milhares de equipamentos espalhados pela capital paulista.
Em nota, a prefeitura classificou o vazamento como ilegal e afirmou que não há fragilidade nos mecanismos de segurança do Smart Sampa. A administração também sustentou que não houve uso indevido da plataforma e que o conteúdo exposto foi retirado do ar.
Dados expostos e versões conflitantes
A apuração jornalística apontou que o material disponibilizado na internet incluía informações que possibilitariam acessar imagens de câmeras conectadas ao programa, inclusive em locais como escolas, creches e unidades de saúde. A reportagem também citou a exposição de dados de agentes de segurança e de credenciais de usuários autorizados.
A prefeitura, por sua vez, contestou parte dessa descrição. A administração municipal disse que o repositório não continha senhas de acesso e afirmou que o episódio não deve ser tratado como falha de segurança da plataforma, mas como suposto ato individual de um servidor.
A divergência concentra o debate em duas questões: como os dados foram disponibilizados e quais mecanismos de controle existiam para evitar que informações operacionais do sistema chegassem à internet.
O que é o Smart Sampa
Criado pela gestão do prefeito Ricardo Nunes (MDB), o Smart Sampa integra câmeras públicas e privadas, além de ferramentas de reconhecimento facial, leitura de placas e cruzamento de dados. A central de monitoramento funciona no Centro Histórico de São Paulo e opera em parceria com órgãos municipais e estaduais de segurança.
De acordo com a prefeitura, o sistema é utilizado para localizar pessoas desaparecidas, identificar foragidos da Justiça e apoiar ocorrências atendidas pelas forças de segurança. A expansão da rede, porém, também colocou o programa no centro de discussões sobre proteção de dados, transparência e prevenção de erros em sistemas de reconhecimento facial.
O município afirmou que o programa é acompanhado pelo Tribunal de Contas do Município e conta com consultoria especializada em governança e privacidade. Ainda não foram divulgados, no entanto, detalhes sobre a extensão da investigação administrativa, o período em que os dados ficaram expostos ou as medidas adicionais adotadas após o caso.
Da IstoÉ