Prefeitura de Crans-Montana, na Suíça, sabia de risco de incêndio em bar

Documento revela que ex-vereadora alertou autoridades sobre espuma inflamável antes de tragédia que matou 41 pessoas

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A prefeitura de Crans-Montana, na Suíça, tinha conhecimento prévio do risco de incêndio da espuma de isolamento acústico utilizada no teto do bar Le Constellation. Esta revelação, divulgada pelo jornal suíço Tages-Anzeiger e noticiada pela imprensa italiana, surge de um e-mail enviado por Rose-Marie Clavien, ex-vereadora responsável pela construção civil.

O inquérito sobre a tragédia, que vitimou 41 pessoas — incluindo seis adolescentes italianos — e deixou 115 feridos na virada do ano, agora inclui Clavien como a 17ª investigada. A proprietária do estabelecimento também sabia do perigo, tendo alertado funcionários em 2019 sobre o risco de velas pirotécnicas incendiarem o revestimento.

  • A prefeitura de Crans-Montana sabia sobre o risco de incêndio da espuma no teto do bar Le Constellation.
  • Uma ex-vereadora alertou as autoridades locais sobre o material perigoso, sendo agora a 17ª investigada no inquérito.
  • A tragédia de ano novo resultou em 41 mortes e 115 feridos, provocada por velas pirotécnicas que incendiaram o revestimento.

O documento enviado por Rose-Marie Clavien alertava as autoridades locais sobre o perigo do material que revestia o teto da casa noturna. Em interrogatório realizado em 28 de agosto, a ex-vereadora optou por exercer o direito ao silêncio e recusou-se a responder sobre este ponto específico.

Aumento de suspeitas de negligência

Jessica Moretti, proprietária do estabelecimento, também detinha conhecimento do risco. Em uma mensagem enviada a funcionários em dezembro de 2019, ela chegou a recomendar cautela no uso de velas pirotécnicas, alertando que elas poderiam provocar a combustão do revestimento do teto. Exatamente seis anos depois, essa previsão se concretizou, resultando na devastadora tragédia.

Andrea Costanzo, pai de Chiara, uma das vítimas italianas de 16 anos, manifestou à ANSA estar “sem palavras” diante da notícia. “Se a prefeitura foi informada do risco de que aquela espuma poderia se incendiar, é dever jogar plena luz sobre o que aconteceu e, sobretudo, entender por que o perigo não foi enfrentado e evitado”, declarou Costanzo.

As famílias exigem respostas claras

Costanzo enfatizou que Chiara e as demais vítimas “não podem mais voltar”, mas que as famílias têm o direito inalienável de “saber a verdade” sobre os fatos. Valentino Giola, pai de Giuseppe, um dos italianos sobreviventes do incêndio, afirmou à ANSA que a recente revelação “corrobora” a suspeita generalizada de negligência por parte das autoridades e dos responsáveis.

“Agora surge um documento que atesta que havia riscos fundados”, salientou Giola, reforçando a gravidade das omissões. Os proprietários do bar Le Constellation, Jacques e Jessica Moretti, estão sob investigação do Ministério Público de Sion como suspeitos de responsabilidade pela tragédia. Antigos e atuais dirigentes do município de Crans-Montana também são investigados por não terem realizado as inspeções necessárias no estabelecimento, falha que pode ter contribuído para o desfecho fatal.

Paralelamente, o Ministério Público de Roma conduz um inquérito próprio para apurar as causas e as responsabilidades pelo incêndio. (ANSA)