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Prefeito italiano acampa em cais contra certificado sanitário

PALERMO, 16 JAN (ANSA) – O prefeito de uma importante cidade italiana montou acampamento em um cais para protestar contra o certificado sanitário anti-Covid imposto pelo governo do primeiro-ministro Mario Draghi.   

Cateno De Luca, prefeito de Messina, 13º município mais populoso do país, com 222 mil habitantes, reclama da exigência do chamado “passe verde reforçado” para a travessia de balsa entre a ilha da Sicília e a parte peninsular da Itália.   


Esse certificado é concedido apenas a pessoas vacinadas contra a Covid ou que tenham se curado do doença há menos de seis meses.   

Desde 10 de janeiro, o documento sanitário é exigido em transportes públicos e modais de longa distância, incluindo as balsas, o que fez diversos viajantes serem bloqueados em Messina, principal porta de entrada na Sicília para a Península Itálica.   

“O Estado nos colocou sob sequestro violando o principio da continuidade territorial. Tudo bem cobrar o ‘superpasse verde’ nas balsas, mas de forma gradual”, declarou De Luca, que montou uma barraca de acampamento no cais de onde partem as embarcações e transferiu seu gabinete para o local.   

O prefeito argumentou que, a partir de Villa San Giovanni, do outro lado do Estreito de Messina, é possível viajar para toda a Europa sem o “passe verde reforçado”. “Já na Sicília eu tenho de permanecer na Sicília, e também não é possível vir da Itália para a Sicília [sem o passe verde reforçado]”, acrescentou.   

De Luca ainda prometeu que não vai sair do cais enquanto não tiver uma resposta do governo italiano. “Tentei me fazer ouvir pelas vias institucionais, mas não obtive respostas. Sinto que fui abandonado pelo Estado”, disse, fazendo a ressalva de que não quer ser “instrumentalizado por quem é contra as vacinas”.   

“Eu sou a favor da vacinação, mas não com essas estratégias sorrateiras. O raciocínio é simples: se a vacina é segura, porque não torná-la obrigatória?”, criticou. O prefeito pede uma “moratória de 30 ou 40 dias” para dar tempo de as pessoas se vacinarem com a primeira e a segunda dose.   

“Caso a pessoa não pretenda se vacinar, que [o governo] então não sacrifique os direitos primários da habitação e da tutela da liberdade de tratamentos médicos”, afirmou.   

Draghi instituiu o “passe verde reforçado” em meio à explosão de casos provocada pela variante Ômicron na Itália, que na última terça-feira (11) bateu seu recorde de contágios em um único dia, com 220,5 mil.   

O certificado sanitário também é cobrado em cinemas, academias, restaurantes, eventos esportivos e festas. (ANSA).