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Prefeito de Nova York anuncia sua pré-candidatura à presidência dos EUA

Prefeito de Nova York anuncia sua pré-candidatura à presidência dos EUA

Bill de Blasio - AFP

O prefeito de Nova York, Bill de Blasio, anunciou nesta quinta-feira sua candidatura à eleição presidencial dos Estados Unidos em 2020, tornando-se o vigésimo terceiro democrata que espera suceder Donald Trump.

“É preciso deter Donald Trump. Eu sou Bill de Blasio e estou concorrendo à presidência porque é hora de colocar os trabalhadores em primeiro lugar”, disse o prefeito de 58 anos em um vídeo de três minutos postado no YouTube.

De Blasio, de 58 anos, menciona na gravação de três minutos as políticas que implementou em sua cidade americana para favorecer as “famílias trabalhadoras” desde que iniciou o seu mandato em janeiro de 2014.

As pesquisas até agora são desfavoráveis a ele e os meios de comunicação nova-iorquinos, muito críticos a seu governo, tentaram, em vão, dissuadi-lo em sua decisão de apresentar sua candidatura.

Eleito com a promessa de reduzir as desigualdades após 12 anos de governo do bilionário Michael Bloomberg, Bill de Blasio é um dos aspirantes presidenciais com posturas mais à esquerda, como as do também pré-candidato Bernie Sanders.

Ainda que o posto de posto de prefeito de Nova York seja “o segundo mais difícil” dos Estados Unidos – atrás do de presidente -, Bill de Blasio, de 58 anos, parece ser o único, até o momento, a acreditar em suas chances.

A última pesquisa em que apareceu, publicada no início de abril pela universidade Quinnipiac, indicava que, mesmo entre os nova-iorquinos, 76% dos eleitores não gostariam de vê-lo na briga pela indicação democrata, contra apenas 18% favoráveis.

Casado com uma mulher negra e pai de dois filhos, é popular entre a comunidade negra. Mas, segundo as pesquisas, os hispânicos estão divididos a seu respeito, enquanto os brancos são majoritariamente críticos a seu mandato.

Ele deve participar ainda nesta manhã do programa “Good Morning America”, antes de partir na sexta-feira para Iowa, um dos estados-chave para as primárias democratas.

Com posições mais próximas às de Bernie Sanders do que de Hillary Clinton durante a campanha 2016, Bill de Blasio introduziu em Nova York a escola maternal gratuita para todos, elevou o salário mínimo a US$ 15 por hora e anunciou uma cobertura universal da saúde.

Frente as inúmeras detenções de migrantes em situação irregular pelo governo Trump, multiplicou as medidas pró-migrantes, reivindicando a imagem de cidade mundial de Nova York.

Recentemente, endossou um pacote de leis municipais diante da mudança climática.

Na segunda-feira, como prelúdio de sua campanha, foi promover o pacote de leis no lobby da Trump Tower, sede da Trump Organization e arranha-céu citado entre os mais poluentes da cidade.

Para se distinguir dos outros 22 pré-candidatos democratas, Bill de Blasio se orgulha em seu vídeo de ter feito da primeira metrópole americana “a mais segura cidade grande dos Estados Unidos”, com um declínio contínuo no número de homicídios durante o seu mandato.

Mas seu principal lema, como em sua campanha para a prefeitura, é a redução das desigualdades.

“Há muito dinheiro no mundo, há muito dinheiro neste país, apenas está nas mãos erradas”, disse ele no vídeo, uma frase que repetiu várias vezes em Nova York.

Mas o prefeito enfrentará uma mídia feroz contra ele, que denuncia a falta de resultados tangíveis face à pobreza, sua falta de carisma, suas idas diárias ao Brooklyn para fazer academia, ou ainda suas brigas com o governador democrata do estado, Andrew Cuomo.

Nesse contexto, vários de seus colaboradores confessaram serem contra sua candidatura.

Mas Bill de Blasio gosta de lembrar que ninguém acreditava em suas chances como prefeito em 2013, quando não passava de um vereador pouco conhecido.

“Eu costumava ser o último nas pesquisas quando apresentei minha candidatura à prefeitura”, disse ele no final de janeiro. “Não é como você começa a corrida (que conta), é como você termina”.