Precisei dar um chilique

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secretária da Cultura (Crédito: Reprodução YouTube)

A boa imagem que o Brasil (ainda) tem no exterior se deve toda à cultura e nada à política. Um povo que não cuida sua cultura não é um povo de primeira, é um sepulcro com bandeira.

Porque a cultura é samba e poesia e a política mediocridade e corrupção. A música é espetáculo e alegria e a política só esculhambação. O teatro é Zélia, Carolina e Gal, a política miséria e tribunal. A pintura é Calvancati, Portinari e Tarsila, a política, desfile de cães de fila.

A moda é Fragas, Herchcovitches, Bronsteins, Lourenços e Coelhos. A política é desonra de joelhos. Os escritores são seríssimos, veríssimos e Amados. Os políticos não valem nem uns trocados. A dança é Frevo, Fandango, Maracatu. A política vai levar no tu.

Viva Flávio Migliaccio! Viva Aldir Blanc. Viva Rubem Fonseca! Viva Moraes Moreira! Viva Garcia-Roza! Que a eternidade os acompanhe nessa última viagem, que esta humilde coluna seja vosso epigrama e epitáfio, palavra enorme e terna, homenagem grade e alta. Que a vossa luz é maior que a da ribalta.

Agora vou ter um chilique! Preciso dar um chilique aqui, né! Viva o Caetano Veloso. Viva o Chico Buarque! Viva o Crioulo. Viva a Ana Carolina! Viva o Lenine! Vivam Roberto Legal e o Adoniran Barbosa. Viva o Jorge Amado! Viva o Mar Morto! Viva a sandice! Viva Brás Cubas. Viva a Heloísa Starling! Viva o Ricardo Boechat!

Viva o Peninha, viva o Zeca Baleiro. Viva o Martinho da Vila, o Pixinguinha, o Gonzaguinha, e os Novos Baianos da preta pretinha. Viva o Rio vermelho, o pano Verde e Amarelo. Vivam Oxum e Iemanjá.

Viva o Tom Jobim, o João Gilberto e o senhor Vinícius de Moraes. Viva o operário em construção, a receita de mulher, o soneto de fidelidade, a Rosa de Hiroshima, o soneto de amor total, a ternura e o poema de Natal.

Vivam o povo Brasileiro. Viva o João Ubaldo Ribeiro. Viva a memória que não esquece a ditadura. Vivam a democracia e a República. Viva a cultura Brasileira. Viva.

Quem ama o Brasil que nem eu, fica cabisbaixo quando a Secretária da Cultura encolhe os ombros num país em escombros, escamoteando homenagens, desvalorizando genocídios, tendo ridículos ciúmes ao vivo e em direto.

Viva Flávio Migliaccio! Viva Aldir Blanc. Viva Rubem Fonseca! Viva Moraes Moreira! Viva Garcia-Roza!

Precisei dar um chilique aqui, né. Leitores, desculpem o chilique. Havia tanta coisa bacana pra falar e eu fiquei aqui desenterrando mortos. Carregando um cemitério nas costas.

Políticos…. Quero que vocês arrefeçam neste inverno… e que no verão vão pro inferno. Viva o Roberto Carlos! E o calhambeque, pi…pi…

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Sobre o autor

José Manuel Diogo é autor, colunista, empreendedor e key note speaker; especialista internacional em media intelligence,  gestão de informações, comunicação estratégica e lobby. Diretor do Global Media Group e membro do Observatório Político Português e da Câmara de Comércio e Indústria Luso Brasileira. Colunista regular na imprensa portuguesa há mais de 15 anos, mantém coluna no Jornal de Notícias e no Diário de Coimbra. É ainda autor do blog espumadosdias.com. Pai de dois filhos, vive sempre com um pé em cada lado do oceano Atlântico, entre São Paulo e Lisboa, Luanda, Londres e Amsterdã.


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