No dia 3 de janeiro de 2026, há uma semana, os Estados Unidos deflagram a operação militar contra a Venezuela. Bombardeios ocorreram na capital do país, Caracas, e o presidente Nicolás Maduro e sua esposa, Cilia Flores, foram capturados e levados para Nova York (EUA) para serem julgados pela Justiça norte-americana. Atualmente, o líder venezuelano está detido no Centro de Detenção Metropolitano (MDC), no Brooklyn.
Em coletiva de imprensa logo após a ação militar, o presidente Donald Trump confirmou a captura de Maduro e sua esposa para enfrentarem acusações de narcotráfico e terrorismo. Além disso, o republicano declarou abertamente que os EUA irão “consertar” a indústria petrolífera venezuelana e que empresas americanas estão prontas para investir bilhões de dólares no setor.
O objetivo, segundo Trump, seria “fazer a Venezuela rica e grande de novo”, além de garantir que o petróleo não seja usado por “adversários estrangeiros” dos EUA.
Em outro momento, o republicano afirmou que os Estados Unidos teriam a pretensão de “administrar a Venezuela até que possamos fazer uma transição segura, adequada e criteriosa”. E não descartou a possibilidade de uso de soldados em solo venezuelano.
Assim como Trump, o governo americano classificou como “sucesso” a operação que, segundo dados de agências, deixou ao menos 77 mortos. Uma das alegações expostas pelos americanos foi que o país venezuelano havia se tornado um “porto seguro” para cartéis de drogas e terroristas que ameaçavam a soberania dos EUA.
O republicano também mencionou a influência de potências como Rússia e China na região como um risco que não seria mais tolerado: “O domínio dos EUA na América Latina nunca mais será questionado”, afirmou.
Presidente interina
Após a captura de Nicolás Maduro, a vice-presidente Delcy Rodríguez assumiu a presidência interina da Venezuela. No primeiro momento, ela manteve uma retórica de resistência, classificando o que aconteceu com Maduro de “sequestro” e “agressão brutal”, mas já há relatos de que Rodríguez mantém canais abertos de negociação com o governo americano por meio do secretário de Estado, Marco Rubio.
Questionado pela emissora NBC News, Trump rejeitou a possibilidade de novas eleições na Venezuela nos próximos 30 dias. “Temos que consertar o país primeiro. Não dá para fazer eleições. Não há como o povo votar”, disse.
Mesmo perante a indefinição em relação ao futuro político do país sul-americano, Trump está certo de uma coisa: ele não apoia a participação da líder da oposição, María Corina Machado. Para o republicano, Machado é “uma mulher muito simpática”, mas não tem o “apoio” ou o “respeito” necessários para governar o país.
Depois, no dia 7 de janeiro, a Casa Branca disse que é muito cedo para definir um cronograma para as eleições na Venezuela. “É muito prematuro e muito cedo para ditar um cronograma para as eleições na Venezuela neste momento”, pontuou a porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt, em uma coletiva de imprensa.
Mudança nas acusações
O Departamento de Justiça dos Estados Unidos recuou em acusar Maduro de liderar o suposto Cartel de Los Soles.
A nova peça da denúncia contra o venezuelano por narcotráfico, apresentada após o sequestro de Maduro pelos EUA, excluiu a acusação feita na peça anterior, apresentada em 2020.
Na nova peça do Departamento de Justiça, o Cartel de Los Soles aparece apenas duas vezes, em citações de menor importância, sem qualquer menção à liderança de Maduro em relação ao suposto cartel.
“Nicolas Maduro Moros, o réu – assim como o ex-presidente Chávez antes dele – participa, perpetua e protege uma cultura de corrupção na qual poderosas elites venezuelanas se enriquecem com o tráfico de drogas e a proteção de seus parceiros traficantes”, disse o texto.
A peça do Departamento de Justiça dos EUA afirma, em seguida, que os lucros dessa atividade foram para funcionários corruptos.
“[Esses funcionários] operam em um sistema de clientelismo administrado por aqueles no topo – referido como o Cartel de Los Soles ou Cartel dos Sóis, uma referência à insígnia do sol afixada nos uniformes de oficiais militares venezuelanos de alta patente”, afirmou o documento oficial de Washington.
Ameaças a outros países
Após ação militar contra a Venezuela, Trump intensificou suas ameaças a diversos países, especialmente os da América Latina. O republicano também reafirmou o seu interesse estratégico na Groenlândia, território dinamarquês rico em recursos naturais.
No caso do México, o mandatário estadunidense afirmou que o país não tem feito o suficiente para reprimir os cartéis de drogas. O republicano chegou a mencionar durante entrevista que teria oferecido ajuda militar à presidente Cláudia Sheibaum, mas a proposta foi rechaçada. A líder mexicana, inclusive, criticou a operação americana na Venezuela, declarando-se contra qualquer intervenção dos EUA em países estrangeiros.
Um dos maiores pontos de tensão de Trump atualmente é como presidente da Colômbia, Gustavo Petro. No domingo, 4, enquanto comentava sobre a ação em solo venezuelano, o republicano chamou o líder colombiano de “homem doente que gosta de fabricar e vender cocaína aos Estados Unidos”, e ainda sugeriu que Petro “não continuaria fazendo isso por muito tempo”.
Quanto a Cuba, o presidente estadunidense afirmou que o país não precisaria de intervenção militar, porque “cairia por conta própria”, já que seu economia depende do petróleo venezuelano e, portanto, deve implodir sem necessidade de ação direta americana. Por outro lado, o Secretário de Estado americano e filho de cubanos, Marco Rubio, declarou que o governo cubano representa “um problema sério” aos EUA.
Groenlândia e outros territórios
A Groenlândia, território autônomo da Dinamarca, é de interesse de Trump desde o seu primeiro mandato. Isso se deve à posição estratégica da ilha e à riqueza em minerais raros naturais, incluindo gás natural. A premier dinamarquesa e autoridades do território rejeitaram as falas de Trump, mas alertaram que as ameaças devem ser levadas a sério.
O Irã também integra a lista de países na mira de Trump. O republicano voltou a advertir o país persa sobre a repressão violenta contra manifestantes e contra a possível retomada de programas nucleares.
Os protestos no Irã eclodiram no fim de dezembro de 2025, quando comerciantes descontentes foram às ruas para protestar contra a queda acentuada da moeda do país. Os atos, inicialmente pacíficos, se espalharam e acabaram sendo aderidos por outros segmentos da população em 88 cidades de 27 das 31 províncias iranianas.
Então o regime do aiatolá Ali Khamenei mobilizou a força paramilitar Basij para reprimir centenas de manifestantes, que resultou em 29 mortes e quase 1.200 presos, segundo a HRANA (Human Rights Activists News Agency), um grupo ativista com sede nos Estados Unidos.
Após advertência de Trump sobre a repressão, Khamenei afirmou que “protestar é legítimo”, mas isso é diferente de “promover tumultos. Conversamos com os manifestantes. As autoridades devem conversar com os manifestantes. Mas não adianta conversar com um arruaceiro”.