Português acusado de ordenar ataque em escola de SP começa a ser julgado

Miguel Ângelo é acusado de liderar célula neonazista online e influenciar atentado em Sapopemba

Paulo Pinto/Agência Brasil
Ataque a tiros na Escola Estadual Sapopemba Foto: Paulo Pinto/Agência Brasil

O jovem português Miguel Ângelo, acusado de planejar um massacre em uma escola de Sapopemba, na zona leste de São Paulo, começou a ser julgado nesta quinta-feira, 19, pelo Tribunal de Santa Maria da Feira, em Portugal. Na época, o ataque resultou na morte de Giovanna Bezerra da Silva e três alunos feridos.

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Miguel, conhecido pelo codinome Mikazz, foi acusado pelo Ministério Público de Portugal de liderar uma célula neonazista na internet. O grupo online “The Kiss” também foi formado por ele. Os membros dessa comunidade eram responsáveis por propagar discursos racistas, fomentar a violência contra animais, pornografia infantil e automutilação.

O jovem segue preso preventivamente em Portugal desde maio de 2024 e responde por 240 crimes, sete são de homicídio (um consumado e seis tentados). As investigações apontaram que ele teria ordenado massacres no Brasil e nas cidades portuguesas de Santa Maria da Feira e Gondomar.

Relembre o caso

Em 2023, um atentado em uma escola da zona leste de São Paulo deixou três estudantes feridos e causou a morte de Giovanna, com 17 anos na época. As vítimas foram encaminhadas ao Hospital Geral de Sapopemba. O atirador, de 16 anos, que era aluno do ensino médio, transmitiu o ataque ao vivo. Segundo ele, o massacre só foi realizado porque “pediram para fazê-lo”, em referência aos membros da comunidade neonazista.

O Ministério Público de Portugal concluiu, então, que o brasileiro não teria capacidade de planejar e agir sozinho e que a influência do português foi decisiva para o assassinato. A Polícia Judiciária e a Polícia Federal realizaram, em conjunto, uma força-tarefa internacional para investigar o caso.