Portugal adquire “manuscritos raros” de Pessoa e Castelo Branco

Coleção adquirida por 73 mil euros enriquece o acervo da Biblioteca Nacional de Lisboa, incluindo cartas e poemas

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Portugal anunciou a aquisição de manuscritos raros de alguns dos mais proeminentes nomes da literatura nacional, como Fernando Pessoa e Camilo Castelo Branco. A compra, realizada em um leilão público por cerca de 73 mil euros (equivalente a 442,6 mil reais), visa enriquecer o acervo da Biblioteca Nacional de Lisboa. A coleção inclui poemas e cartas inéditas, reforçando o patrimônio cultural do país.

  • Manuscritos raros de Fernando Pessoa e Camilo Castelo Branco foram adquiridos por Portugal em leilão público.
  • A compra, avaliada em cerca de 73 mil euros, inclui poemas e cartas de Fernando Pessoa para Ofélia Queiroz.
  • O material foi incorporado ao acervo da Biblioteca Nacional de Lisboa, complementando obras já existentes.

Em comunicado, o Ministério da Cultura de Portugal confirmou a aquisição da “rara coleção de documentos”, destacando a importância da iniciativa para a preservação da memória literária. Entre os itens, estão poemas e cartas de Fernando Pessoa (1888-1935) para Ofélia Queiroz, conhecida como o único amor de sua vida. Pessoa é amplamente reconhecido como um dos maiores autores em língua portuguesa e o principal poeta lusófono do século 20.

As obras, que agora farão parte do acervo da Biblioteca Nacional de Lisboa, irão complementar as versões datilografadas já existentes no local. Este tipo de aquisição é fundamental para o estudo aprofundado da obra de grandes escritores e para a valorização do patrimônio cultural, à semelhança de como outras nações buscam preservar suas heranças artísticas, como visto na recuperação de obras de Matisse roubadas em São Paulo.

Qual a importância histórica desses documentos?

Além dos escritos de Fernando Pessoa, a coleção abrange diversas correspondências entre o romancista Camilo Castelo Branco (1825-1890) e Ana Plácido. O relacionamento ilícito entre os dois, já que Plácido era casada na época, resultou na prisão de ambos e serviu de inspiração para um dos grandes clássicos da literatura portuguesa do século 19, “Amor de Perdição”, escrito pelo próprio Castelo Branco.

A presença desses documentos na Biblioteca Nacional de Lisboa permite que pesquisadores e o público em geral tenham acesso direto a materiais que oferecem uma visão íntima da vida e do processo criativo desses autores. A aquisição sublinha o compromisso do Estado português com a salvaguarda de seu legado literário.

(Da IstoÉ com ANSA)