Por que Salles não cai?

Crédito: DIDA SAMPAIO

MINISTRO MOTOSSERRA Em meio às acusações de proteger madeireiros, Salles faz voo suspeito (Crédito: DIDA SAMPAIO)

Como todos sabem, o ministro do Meio Ambiente é um dos responsáveis por ter transformado o Brasil em pária internacional, mas o que ninguém entende é por que Ricardo Salles ainda não caiu. Até o fisiológico Centrão já pediu a cabeça dele a Bolsonaro, mas o ex-capitão prefere ser ridicularizado perante o mundo do que mudar sua desastrosa política ambiental, o que passa por demitir, obviamente, o passador de boiadas e destruidor de florestas. Se não bastasse essa atitude criminosa, agora Salles é alvo de investigação na PGR, atendendo despacho da ministra Cármen Lúcia, do STF, por conluio com madeireiros no Pará que devastam ilegalmente a Amazônia, segundo ISTOÉ mostrou com exclusividade na semana passada. Salles é acusado de ter se transformado em advogado de grileiros.

Mistério

Além disso, o ministro foi flagrado no último dia 26 de março fazendo um voo muito suspeito: embarcou, no Campo de Marte, em um helicóptero da empresa MMO Marketing Esportivo, acompanhado de duas mulheres. O voo aconteceu durante o expediente do ministro, mas a viagem não foi custeada pelo ministério, dando a entender que foi paga pela MMO.

Processos

A MMO é de José Carlos Kucharsky, que responde a 17 processos na Justiça. No mínimo, foi uma viagem de alto risco. Salles já foi processado por receber propinas de mineradoras quando foi secretário do Meio Ambiente de Alckmin. Embora não tenha sido condenado nesse caso, agora o ministro é acusado de receber “vantagens” de madeireiros do Pará.

Guedes fatiado

GABRIELA BILO

Bolsonaro segue pressionado pelos aliados a desmembrar o Ministério da Economia, comandado por Paulo Guedes, como forma de recriar pastas extintas em sua gestão. Querem o ressurgimento do Planejamento, Trabalho e Indústria e Comércio. Como os deputados do Centrão já ocupam cinco ministérios, agora seria a vez de ter senadores na Esplanada: Eduardo Gomes, Jorginho Mello e Davi Alcolumbre estão na boca.

Retrato falado

“O cenário de terra arrasada na economia não interessa a ninguém” (Crédito:Democratas/Flickr)

O deputado Efraim Filho, que apoia Bolsonaro, diz que o governo deve dar prioridade à retomada da economia,
à recuperação dos negócios e à preservação e geração dos empregos. Segundo ele, isso é mais importante do que pensar só na arrecadação. Depois de se reunir com Guedes, Efraim adiantou que o Ministério da Economia prepara-se para anunciar um pacote de recuperação econômica: “Temos que fazer um plano para reerguer a atividade produtiva, como o Refis e o Refaz”.

SOS aos pequenos

Embora a CPI da Covid seja restrita ao Senado, a Câmara também parou. Graças a isso, as pequenas e médias empresas, quebradas por causa da pandemia, estão a ver navios quanto ao socorro que já deveriam estar recebendo do governo, por meio da liberação de recursos previstos no Pronampe, linha de empréstimos subsidiados para tirá-los do buraco. No Orçamento sancionado pelo capitão, o Pronampe tem R$ 5 bilhões para socorrer os pequenos, mas os parlamentares acham o valor muito baixo e querem pelo menos R$ 10 bilhões. Nas negociações conduzidas por Lira e Pacheco, o valor pode chegar a R$ 7 bilhões. Enquanto não se chega a um acordo, os pequenos continuam no sufoco.

Desemprego

Sem Pronampe, os pequenos negócios continuam demitindo. A consequência é que o desemprego atingiu o recorde de 14,4% em fevereiro. Em um ano, perdemos 7,8 milhões de postos de trabalho: são 14,4 milhões de desempregados; 10,5 milhões que não trabalham e nem procuram emprego; e 6 milhões de desalentados.

Doria versus Aécio

Governo do Estado de São Paulo

A guerra pelas prévias para presidente pelo PSDB é maior do que parece. Os dois maiores estrategistas dessa batalha são João Doria, que disputará as primárias como favorito, e Aécio Neves, que trabalha para atrapalhar ao máximo o governador de São Paulo. Os seguidores de Doria apelidaram os aliados do deputado mineiro de “os corvos do PSDB”.

Prévias marcadas

Um dos embates está na data da realização das prévias. Doria quer que ocorram no dia 17 de outubro, enquanto Aécio deseja adiá-las para março. O governador paulista pede que o colégio das prévias dê direito a voto a todos os filiados, sobretudo mulheres, negros, LGBTs e juventude tucana. Aécio deseja que só votem delegados dos diretórios.

O retorno da companheira

Geraldo Magela

A ex-senadora Heloísa Helena voltou a trabalhar no Senado e nem precisou se eleger. Acaba de ser nomeada para a liderança da oposição no Senado, sob direção de Randolfe Rodrigues, da Rede, mesmo partido de HH, que não conseguiu se reeleger vereadora de Maceió no ano passado. O salário não é nada mau: R$ 10,7 mil por mês. Quem tem padrinho, não morre pagão.

Toma lá dá cá

Marcelo Freixo, deputado federal (Psol-RJ) (Crédito:João Alvarez)

Por que o senhor defende a criação de uma CPI para investigar o ministro do Meio Ambiente?
O objetivo é apurar as denúncias feitas pelo delegado Alexandre Saraiva. Ele disse que Ricardo Salles tentou fraudar o inquérito para proteger madeireiros e que ele usa o cargo para acobertar criminosos ambientais.

O que precisa ser feito para a CPI da Covid dar resultados?
Os crimes de Bolsonaro são públicos. Os responsáveis por esse morticínio têm que ser punidos.

O que a esquerda precisa fazer para derrotar Bolsonaro em 2022?
Sempre defendi a construção de uma frente ampla. Bolsonaro despreza os princípios básicos da democracia e faz um governo que subordina o Estado aos interesses de criminosos.

Rápidas

* As quarenta mulheres empresárias que almoçaram com Bolsonaro na sexta-feira, 30, no Palácio Tangará, no Morumbi, mostraram que seguem o negacionista presidente em tudo: apenas cinco delas usavam máscaras na foto oficial do encontro distribuída pela presidência.

* No almoço, regado a Dom Pérignon, um dos champagnes mais caros do mundo, o presidente disse às mulheres empresárias que ele não manda na economia. “Eu não apito na economia e o Guedes não apita na política.”

* Temer anuncia que está preparando o “ponte para o futuro II”, documento que servirá para balizar os caminhos do desenvolvimento. A primeira versão derrubou Dilma. Ele pretende apresentar o estudo para Bolsonaro. Agora vai.

* A senadora Leila Barros protocolou requerimento no Senado exigindo que Milton Ribeiro (Educação) explique por que o governo trocou, em dois anos, cinco vezes o presidente do Inep: “O órgão caminha para o colapso”.


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