A semana

Por que o TRF-4 deixou os dois tão preocupados

Crédito: Lula Marques/Folhapress

Sinal de alerta foi aceso no PT. O ex-tesoureiro do partido João Vaccari Neto, preso pela Lava Jato desde 2015, servia involuntariamente de exemplo para que a cúpula petista criticasse as sentenças de Sergio Moro. Mais: servia como esperança de que Lula acabasse inocentado feito anjo. Explica-se: em duas condenações anteriores de Moro, a 8ª Turma do Tribunal Regional Federal da 4ª Região (segunda instância) absolveu Vaccari por considerar que somente delações de terceiros não podem servir de provas. Na semana passada, no entanto, o tribunal não apenas manteve a condenação por crime de corrupção passiva como também aumentou os dez anos de prisão dados por Moro para vinte e quatro anos de reclusão – tudo baseado em provas documentais. Vaccari era uma espécie de símbolo de resistência porque não delatou ninguém e vinha sendo absolvido. A última trincheira caiu: e se agora, diante desse tempão de cana que terá de puxar, Vaccari decidir fazer acordo de delação? Mais: aquelas duas absolvições podiam indicar que o mesmo tribunal absolveria Lula nos nove anos e meio de cadeia que Moro lhe deu por corrupção e lavagem de dinheiro (caso triplex). O mar de esperança de Lula virou poça d’água após a tempestade da sentença de Vaccari.

Vaccari talvez abra a boca e Lula pode fazer a mochila para a prisão (Crédito:AFP PHOTO / Sergio LIMA)

94 – sentenças da Lava Jato foram julgadas pelo TRF-4

31 – é o número de condenações dadas por Sergio Moro que tiveram a dosimetria (anos de prisão) aumentada pelo tribunal

63 – são decisões que sofreram alguma alteração

BRASIL
O novo comando da PF

O presidente Michel Temer, aceitando indicação de seu partido, o PMDB, trocou na quarta-feira 8 o comando da Polícia Federal. Sai Leandro Daiello (assumiu em 2011 e se tornou o mais longevo delegado à frente da PF no período democrático), entra Fernando Segóvia (à esq.). O novo diretor-geral tem vinte e dois anos de carreira, serviu o Brasil como adido policial na África do Sul e foi superintendente regional no Maranhão. Na própria quarta-feira, Segóvia reuniu-se com Temer, com o ministro da Justiça, Torquato Jardim, e em seguida foi ao encontro de Daiello (à dir.). O delegado Sandro Avelar deverá ser o diretor executivo da PF.

70%

dos casos de sepse (resposta exagerada do organismo a uma infeção) são desenvolvidos fora dos hospitais. Causam a morte de até 50% das pessoas por ela acometidas – até então, instituições hospitalares eram tidas como as grandes responsáveis, e isso muda os cuidados com a doença. No Brasil é alto o índice de mortailidade, e 86% da população nunca ouvir falar do assunto. Dados do Instituto Latinoamericano de Sepse.

PALÁCIO DO PLANALTO
De Juscelino para Temer

Michel Temer mandou colocar em seu gabinete no Palácio do Planalto a mesa de trabalho que Juscelino Kubitschek usou em 1960 ocupando a Presidência do Brasil. Destaque para a sua simplicadade e linhas modernistas, justamente o tom que Temer quer em sua sala daqui para frente. A mesa foi projetada por Oscar Niemeyer.

ELEIÇÕES
Fake News e TSE

Fake News em campanha eleitoral deve ser reprimido. Mas há exagero na inclusão do Exército, da Abin e da PF nesse combate. Com razão entidades da sociedade civil temem que a liberdade de expressão fique cerceada. Acertou o ministro da Defesa, Raul Jungmann: “o controle das ações tem de ser da Justiça Eleitoral”.

CÂMARA DOS DEPUTADOS
Ataque de absurdo

JOSE PATRICIO

A Câmara dos Deputados se superou. Decidiu que operadoras de celular pagarão multa de R$ 1 milhão se não instalarem bloqueadores de aparelhos nos presídios. Um mínimo de bom senso e o Senado ou a Justiça derrubarão essa aberração. Um: preso não pode ter celular e ponto final. Dois: não deixar entrar celular nas cadeias é dever do Estado (pagamos impostos, não?), jamais de operadoras. Três: não são as operadoras que colocam celular na mão de presidiário. Outra balela: legalizar o jogo para usar o dinheiro no combate à violência. Um: jogo, ainda que legal, só gera mais crime – inclusive o de lavagem de dinheiro. As ideias vão morrer por ataque de absurdo.