Por que foi boa a gestão de Regina Duarte na Cultura

Crédito:  Claudio Reis/FramePhoto

(Crédito: Claudio Reis/FramePhoto)

Confesso, tenho um lado poliana. Às vezes tendo ao otimismo, o que raramente é boa ideia, especialmente em política. Foi assim quando Regina Duarte assumiu a Secretaria da Cultura do governo Bolsonaro. Achei que por trás daquele ar de eterna perplexidade, a cabecinha inclinada para o lado, se escondia alguma astúcia, que a tornaria capaz de enfrentar e vencer um sério desafio: impedir a adoção de uma política cultural dirigista.

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A questão estava posta naquele momento (parece que já faz um século, pela chegada da pandemia e pelas crises por minuto que o bolsonarismo produz). O antecessor de Regina, o sujeito que imitava Goebbels, queria instituir uma política de prêmios bancados pelo governo, deixando dormente o mecanismo dos incentivos culturais.

Não sou fã das leis de incentivo, mas elas têm uma virtude inegável: o governo não escolhe o que vai ser produzido. Ele apenas autoriza a captação de recursos, segundo critérios que não são de conteúdo, e o artista que se vire para conseguir patrocinadores. Num modelo de prêmios, o governo tende a ter muito mais ingerência sobre as decisões. Como é na guerra cultural que o bolsonarismo fica mais à vontade para exercitar seus músculos, difícil imaginar que os prêmios não fossem muito, muitíssimo problemáticos.

No instante em que pisou na secretaria, contudo, Regina Duarte passou a ser triturada nas redes sociais. Ficou um tempo sumida e, quando ressurgiu, foi para dar uma entrevista desastrosa, uma tentativa patética de se manter no cargo rendendo-se à retórica da direita mais tosca. Não havia astúcia nenhuma na atriz, a cabecinha inclinada para o lado era só um trejeito bobo mesmo. Sua passagem pela Cultura teve resultado zero.

Mas serei poliana novamente. Agora em retrospecto, o que é mais seguro. Verei como positivos os setenta e tantos dias de vácuo na Secretaria da Cultura, durante a gestão de Regina Duarte. Todos os indícios vão no sentido de que seu sucessor, quem quer que seja, virá com a missão pisar no acelerador e moldar a cultura brasileira à imagem do presidente.

PS: Tem-se falado em alguns nomes para suceder Regina na secretaria. Vou aqui fazer uma aposta: Abraham Weintraub. Consta que o ministro da Educação está na mira dos assessores militares de Bolsonaro, e do próprio presidente, por resistir a nomeações políticas do centrão para a sua pasta. A Cultura seria um prêmio de consolação para Weintraub. Uma ribalta para os seus dons de histrião.

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