Por que Bolsonaro e Lula são, sim, equivalentes

Crédito: Adriano Machado/Reuters/Fotoarena | Ricardo Stuckert

(Crédito: Adriano Machado/Reuters/Fotoarena | Ricardo Stuckert)


Agora que Lula pode ser novamente candidato à presidência em 2022, vai recomeçar, com ímpeto quadriplicado, o esforço para demonstrar que Lula e Bolsonaro não são equivalentes. Os bolsonaristas não gostam, mas são os petistas os que mais têm faniquitos quando surge essa comparação.

O argumento se apoia, antes de mais nada, no fato de que Lula não deixou prosperarem no Congresso conversas para mudar a Constituição e autorizá-lo a disputar um terceiro mandato consecutivo.

Ele não teria flertado com o autogolpe, como fez Jair Bolsonaro diversas vezes, sonhando em colocar o Congresso e o Judiciário debaixo da bota do “seu” Exército.

Em resumo, longe de ser um extremista, Lula teria credenciais democráticas de que Bolsonaro não dispõe.

Se a questão for terminológica, acredito que a categoria que reúne Lula e Bolsonaro é o populismo, e não o extremismo. Ambos – o primeiro desde sempre, o segundo a partir do momento em que decidiu disputar a presidência – construíram suas personas vitoriosas renegando a classe política à qual pertencem e criando a ilusão de que governariam não só “para” o povo, mas numa espécie de união mística “com” o povo.

Em termos menos teóricos, a equivalência entre Lula e Bolsonaro decorre de haver mais de um modo de minar a democracia. Bolsonaro faz o jogo às claras. Lula e seu partido fizeram às escondidas, por meio não de um, mas de dois esquemas de cooptação política e financiamento partidário: o mensalão e o petrolão.

Esse é o fato que precisa ser repisado treze milhões de vezes: o PT usou dinheiro público pirateado, sobretudo com o petrolão, para garantir sua permanência no poder. Bilhões de reais que irrigaram campanhas eleitorais e as contas do partido. O marqueteiro João Santana e o tesoureiro do PT João Vaccari, pegos na malha da Lava Jato, são símbolos disso.

Sustentar que todas as falcatruas do petrolão aconteceram sem o conhecimento de Lula é tão crível quanto dizer que a cloroquina é uma cura milagrosa para o coronavírus. Só gente que resolveu viver numa realidade paralela engole essas coisas.

Entre as razões por que Lula não embarcou no movimento em prol do terceiro mandato contam-se estas duas: ele sabia que o PT estava cheio de dinheiro para enfrentar as eleições futuras e tinha certeza absoluta de seu controle sobre o partido. Ainda hoje ele é o sol em torno do qual todos os planetas do petismo orbitam.

É uma farsa tratar Lula como alternativa saudável a Bolsonaro. Ele e seu partido têm um histórico de sabotagem sistemática do regime democrático.

A natureza corrupta do PT foi o fato essencial trazido à tona pela Lava Jato. Esse fato não pode ser esquecido.

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O grande erro da operação foi transformar a prisão de Lula em objetivo máximo, mesmo que para isso fosse necessário levar adiante duas ações meio capengas, a do duplex e a do sítio de atibaia (a segunda um pouco menos problemática que a primeira). Sérgio Moro e a força tarefa se perderam nessa cruzada e estão pagando o preço agora.

Tenho insistido que é preciso separar a Lava Jato do lavajatismo. Isso significa não permitir que, ao menos em termos políticos, os erros dos protagonistas da operação anulem aquilo que ela revelou: que o PT pirateou o estado, na esperança de se manter para sempre no poder.

Se isso acontecer, esteja Lula livre ou não, ele e Bolsonaro serão vistos pelo que são: duas alternativas insalubres para o Brasil, uma à esquerda, a outra à direita.

Ainda há tempo de surgir um caminho ao centro.

PS: Ontem, o ministro Edson Fachin, do STF, declarou a 13a Vara Federal de Curitiba incompetente para julgar as ações da Lava Jato contra Lula. Isso tornou nulos os processos conduzidos por Sérgio Moro. Em termos jurídicos, é como se eles nunca tivessem existido. Apesar disso, a Segunda Turma do STF decidiu manter um julgamento que estava agendado para hoje – dessa vez, sobre a suspeição de Moro para julgar Lula no caso do duplex do Guarujá. Cinco ministros passaram a tarde debruçados sobre um processo que, no momento, é um fantasma jurídico. Alegaram que existe a chance de o plenário do STF reverter a decisão de Fachin e ressuscitar a causa. Em vez de esperar essa eventualidade, acharam melhor adiantar a carruagem. Por quê? Porque a Segunda Turma estava ansiosíssima para fazer um manifesto sobre Moro e os procuradores de Curitiba. Não quis perder o embalo, embora fosse o mais lógico em termos processuais. No fim, Kassio Marques pediu vista e a decisão ficou mesmo para outra hora. Mas esse é mais um exemplo daquilo que escrevi ontem: o STF virou uma bagunça.

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