Por que acidentes aéreos parecem cada vez mais frequentes?

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Avião caído em Ubatuba, São Paulo Foto: Reprodução

Dados disponibilizados pelo Painel Sipaer (Sistema de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos) apontam que o Brasil teve 24 acidentes aéreos apenas em 2025, sendo sete deles fatais. O País tem uma tendência de aumento na quantidade de mortes desde 2022.

O Brasil registrou 175 acidentes aéreos em 2024, o maior número desde 2014, quando começou a série histórica do Cenipa (Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos), da FAB (Força Aérea Brasileira). O ano passado somou 152 mortos, valor que foi impulsionado pela queda do avião da Voepass em Vinhedo (SP), em agosto.

Apenas no início de 2025, foram registradas 7 ocorrências fatais que causaram 11 mortes.

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Na terça-feira, 11, um avião colidiu com um carro durante a decolagem na pista do Aeroporto Internacional do Galeão, no Rio de Janeiro (RJ). Quatro dias antes, um avião de pequeno porte caiu na Avenida Marquês de São Vicente, na Barra Funda, em São Paulo (SP), deixando dois mortos e seis feridos.

De acordo com Maurício Pontes, especialista em segurança de voo e gerenciamento de crises e porta-voz da Abrapac (Associação Brasileira de Pilotos da Aviação Civil), há ocorrências fatais em diferentes tipos de aviação, como agrícola, acrobática e de passageiros, por exemplo. “Não consigo encontrar um nexo causal que unifique esses acidentes de uma maneira científica”, aponta.

Conforme Pontes, a percepção das pessoas e a maneira como a mídia trata os acidentes também causam a impressão de que o número de acidentes está aumentando. “Estamos diante de uma questão de um trilhão de dólares”, ironiza o especialista em segurança de voo, acrescentando que fatores subjetivos, como cultura e fiscalização, podem interferir nas causas para ocorrências fatais.

O piloto Rafael Santos, comandante da Korean Air com mais de 30 mil horas de voo, acredita que o acidente é como o “sintoma de uma doença”. “Quando o sistema fica doente na aviação, a gente começa a enxergar um número de acidentes mais elevado”, comenta.

Segundo Santos, ocorrências fatais são a consequência de diversos fatores, como a falta de fiscalização, de controle e treinamento, o que gera um risco aumentado. “Não tem como cravar uma razão”, explica o piloto. O comandante da Korean Air ressalta que a pressão sobre pilotos pelos empregadores ou proprietários de aeronaves também contribui com acidentes.