“Polvos são soltos no mar para combater caranguejo-azul invasor”

Iniciativa na Itália usa predador natural para frear proliferação da espécie que ameaça ecossistema e pesca

Imagem ilustrativa
Foto: Imagem ilustrativa

Milhares de polvos recém-nascidos e uma fêmea adulta foram libertados no Mar Adriático, litoral de Cesenatico, Itália, em um projeto inovador. A iniciativa, da Universidade de Bolonha e financiada pela Emilia-Romagna, visa usar o predador natural para conter a proliferação do caranguejo-azul. Esta espécie invasora tem causado severos danos ao ecossistema marinho e à atividade pesqueira local.

  • O projeto “Octo-Blu” solta milhares de polvos no Mar Adriático para combater o caranguejo-azul.
  • A Universidade de Bolonha e a região da Emilia-Romagna financiam a iniciativa de controle biológico.
  • O caranguejo-azul, uma espécie invasora, causa graves prejuízos ao ecossistema e à pesca na Itália.

Batizada como “Octo-Blu”, a iniciativa é promovida e financiada pela região da Emilia-Romagna, com o objetivo de estudar o controle biológico do caranguejo-azul. A pesquisa busca verificar se o polvo, predador natural da espécie invasora, pode contribuir para frear sua expansão na Itália.

As primeiras liberações ocorreram em 11 e 17 de junho, perto de barreiras artificiais submersas, e continuaram ao longo de agosto. Até o momento, cerca de 40 mil filhotes de polvo foram lançados no mar, mas a meta é chegar a mais de 100 mil.

“O objetivo é colocar em campo todos os instrumentos disponíveis para combater o caranguejo-azul, proteger o equilíbrio do nosso ecossistema marinho e apoiar as empresas de pesca e aquicultura da Emilia-Romagna”, afirmou o secretário de Agricultura e Pesca da região, Alessio Mammi.

“Por isso, estamos dispostos a apoiar também outros projetos de universidades ou centros de pesquisa que sigam nessa direção”, acrescentou o secretário.

O predador natural como solução

O caranguejo-azul, originário do Atlântico ocidental, se espalhou rapidamente pelo Mediterrâneo e pelo Adriático. Isso tem causado forte impacto sobre a fauna nativa e as atividades econômicas ligadas ao mar, especialmente a criação de moluscos.

Habitante de regiões como a costa leste dos Estados Unidos e do Canadá e o norte da Argentina, a espécie teria chegado ao Mediterrâneo na água de lastro de navios mercantes. Quando não há predadores, o caranguejo-azul consegue se reproduzir muito rapidamente. Cada fêmea pode botar mais de 700 mil ovos por período reprodutivo.

Itália busca novas soluções para a crise marinha?

A aposta no controle biológico por meio do polvo representa uma alternativa às estratégias tradicionais de captura e contenção. Estas se mostraram insuficientes para evitar a disseminação do crustáceo na Emilia-Romagna e no Vêneto.

A preocupação com a invasão dos caranguejos-azuis é tamanha que o Ministério da Agricultura e da Soberania Alimentar da Itália nomeou até um “comissário extraordinário”, Enrico Caterino, para lidar com a crise. No entanto, a espécie continua se multiplicando, o que já provocou o fechamento de diversos criadouros de moluscos nos últimos anos.

Da IstoÉ com ANSA.