Político ou técnico? Como os brasileiros acham que deve ser o novo ministro do STF

Pesquisa revela preferência por nome técnico, enquanto 37% apoiam indicação ligada ao governo

Jorge Messias
Jorge Messias, ministro-chefe da Advocacia-Geral da União: indicado de Lula ao Supremo Foto: Daniel Estevão/Ascom AGU

Uma nova pesquisa, divulgada nesta quarta-feira (6), revela que a população brasileira está dividida sobre o perfil ideal para a próxima indicação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ao Supremo Tribunal Federal (STF). Quase 40% dos entrevistados preferem um nome técnico e sem vínculos governamentais, enquanto 37% apoiam um candidato com ligação direta com o governo, similar ao caso de Jorge Messias.

O que aconteceu

  • Indicação STF: 39,4% da população deseja um nome técnico, sem ligação governamental, para o Supremo Tribunal Federal.
  • Divisão de opiniões: Outros 37% defendem um nome ligado ao governo, como o advogado-geral da União, Jorge Messias.
  • Impacto da rejeição: A derrota de Messias é vista por 36% como articulação da oposição e por 35% como fraqueza do governo.

Os dados, coletados pela pesquisa Meio/Ideia entre os dias 1º e 5 de maio, mostram que, além da divisão principal, 5% dos entrevistados expressam o desejo por uma mulher no cargo, independentemente do perfil. Outros 5,4% não souberam ou não quiseram responder à pergunta central: “Quem Lula deve indicar para o STF”.

Rejeição de Messias: Derrota ou dever do Senado?

A opinião pública também se manifesta de forma divergente quanto à rejeição de Messias para a vaga na Suprema Corte. Trinta e seis por cento (36%) atribuem o veto a uma articulação da oposição, visando enfraquecer o governo. Por outro lado, 35% veem o episódio como uma derrota direta do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, indicando uma fragilidade de sua base.

Para 12% dos consultados, o Senado Federal agiu corretamente, exercendo seu papel constitucional ao barrar uma indicação que consideraram política. Contudo, 8% dos entrevistados acreditam que as indicações ao STF não deveriam passar pela aprovação do Senado, e 9% não souberam opinar.

Jorge Messias, então ministro da Advocacia-Geral da União, havia sido a escolha inicial de Lula para preencher a vaga aberta com a aposentadoria de Luís Roberto Barroso, há sete meses. O veto do plenário do Senado Federal ao seu nome foi um marco, pois tal evento não ocorria há 132 anos. Sobre este tema, entenda mais sobre a derrota de Messias e seus impactos.

O que está em jogo no Supremo Tribunal Federal?

A urgência de uma nova indicação é evidente. Conforme reportagem do Estadão, a composição atual do STF, com dez ministros, tem resultado em empates que suspendem julgamentos importantes no plenário virtual. Pelo menos 14 ações estão paralisadas, abrangendo temas cruciais como improbidade administrativa, licenciamento ambiental, o cadastro nacional de pedófilos e aposentadorias no serviço público.

O vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) declarou nesta semana que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva está em fase de definição de sua nova indicação para a vaga e intensifica o diálogo com o Congresso Nacional para garantir uma escolha que obtenha aprovação.

A pesquisa Meio/Ideia ouviu 1.500 pessoas em todo o território nacional, com margem de erro de 2,5 pontos percentuais e nível de confiança de 95%. O levantamento está registrado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o protocolo BR-05356/2026-BRASIL.