Edição nº2501 17.11 Ver edições anteriores

Política rima com hipocrisia

Acrise da República se aprofunda. A cada semana mais um pilar do Estado democrático de Direito é destruído. A elite dirigente — e elite no sentido mais amplo, não só no sentido político — é insaciável. Nada detém sua ação. Não teme as leis, as punições. Não tem pudor. É vulgar e sonha em permanecer ad eternum com seus privilégios e suas práticas anti-republicanas.

Hoje o objetivo fundamental é destruir o arcabouço legal que permitiu a Lava Jato. Vão, a todo custo, lutar para que o quadro eleitoral de 2018 permita a manutenção do status quo. E, pelo cenário político atual, devem conseguir. As regras eleitorais vão produzir um Legislativo federal com uma feição muito próxima ao atual. Não indica que nas 27 unidades da federação o quadro seja distinto. No caso dos executivos estaduais e da União, o elenco dos pré-candidatos conhecidos até o momento sinaliza que teremos a reprodução de eleições anteriores. Ou seja, quem imagina que 2018 vai estar em sintonia com as ruas, pode tirar seu cavalo da chuva. Teremos mais do mesmo — e de um mesmo a cada dia mais enlameado pela corrupção.

Na esfera judicial, o combate para solapar as bases da democracia deve começar pelo fim da prisão em segunda instância. Sob a capa de cumprir a Constituição, vão permitir que os condenados possam, em liberdade, recorrer das decisões judiciais. E como o Brasil é o único País no mundo a ter quatro instâncias, teremos o político corrupto, condenado, mas, ao mesmo tempo, participando das eleições e da gestão pública. Em outras palavras, poderá continuar suas ações criminosas protegido pelo Estado democrático de Direito, por mais estranho que pareça.

O grande acordão passa pela anulação das provas obtidas em diversas operações, como no caso da JBS. É preciso agir como na ação que sepultou a Castelo de Areia. Para eles, a Justiça foi longe demais. É necessário parar o carro moralizador, parodiando Bernardo Pereira de Vasconcelos. O formalismo jurídico, mais uma vez, vai ser o instrumento para jogar mais uma pá de cal nas instituições produzidas pela Constituição de 1988.

A elite não se corrige. A elite não tem moral. Fará de tudo para manter seus privilégios. Desdenha do caput do artigo 5º da Constituição. Para ela, há brasileiros mais iguais que outros, como na fábula de George Orwell.


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