Política homicida

Crédito:  Pedro Ladeira

TIRO AO ALVO Após a posse da André Mendonça no ministério, os homicídios aumentaram (Crédito: Pedro Ladeira)

Para os que não acreditam que a política de incentivo ao armamento estimula a violência, basta ver o que aconteceu no primeiro semestre deste ano. Após a troca de Sergio Moro por André Mendonça no Ministério da Justiça e Segurança Pública, a violência aumentou no Brasil. Em 2019, com Moro, o número de homicídios caiu 30%. Ele rejeitava as ideias de Bolsonaro de estimular a compra de armas. Com Mendonça, os homicídios cresceram 7%
no primeiro semestre de 2020. Morreram 25.712 pessoas – uma a cada dez minutos. Mendonça compartilha a política equivocada do mandatário de facilitar a compra de armas pelos cidadãos: o registro de armas de fogo para colecionadores, atiradores e caçadores cresceu 120%, enquanto o volume de armas compradas pelos cidadãos subiu 66%.

Matança

Os dados são incontestáveis: 72,5% dos assassinatos foram cometidos por armas de fogo. Com Mendonça, as pessoas podem comprar até quatro novas armas, além de o governo ter destinado R$ 10 milhões para a aquisição de 1.660 carabinas para as secretarias estaduais: o número de pessoas mortas pela polícia atingiu 3.181 nos primeiros seis meses.

Jovens

Resultado da corrida armamentista do governo Bolsonaro e do seu candidato a ministro do Supremo Tribunal Federal: 74% das pessoas assassinadas são negras, das quais 50% têm idades entre 15 e 29 anos. Elas são moradoras das periferias pobres e estão desprotegidas das políticas públicas. O Brasil adotou assim o lema: vidas negras não importam.

O bombeiro do STF

ANDRE DUSEK

O ministro Alexandre de Moraes transformou-se no principal combatente das queimadas. Autorizou o repasse de R$ 14 milhões recuperados pela Lava Jato, e que estavam bloqueados, para serem aplicados em atividades de extinção das chamas pelo ICMBio. A decisão prevê a obrigatoriedade de comprovação do uso do dinheiro. Afinal, esse órgão está ligado a Salles, que nem sempre leva os recursos públicos a sério.

Retrato falado

“Bolsonaro pode incorrer em crime de responsabilidade, justificando o impeachment” (Crédito:Reinaldo Canato)

Ex-presidente do STF, o ministro Ayres Britto, alerta que Bolsonaro corre o risco de sofrer processo de impeachment no caso da retaliação do governo e da Anvisa contra a produção da vacina Coronavac, desenvolvida pelo Butantan. Ele entende quea Anvisa deveria ter consultadoo instituto paulista e os organismos internacionais antes de suspenderos testes. Afinal, a pessoa não morreu por causa da vacina, mas por suicídio. ”A vacina mais urgente, talvez, seja contra a intolerância”, disse o jurista.

À espera de Biden

A destruição do meio ambiente na gestão Bolsonaro, sob a batuta de Ricardo Salles, atingiu proporções tão alarmantes que agora só resta esperar o início do governo Biden para ver se as ameaças de sanções americanas demovem as autoridades brasileiras de prosseguirem com as políticas ambientais devastadoras. Em outubro, o desmatamento na Amazônia cresceu 50,6% em relação ao mesmo mês do ano passado, quando os números já haviam sido desoladores. A área desmatada foi de 836,23 km2, maior do que muitos países da Europa. E, ao invés de receber cartão vermelho, Salles é elogiado por Bolsonaro e mantido no cargo a pedido de seus filhos e ideólogos do caos ambiental.

Efeito estufa

Devido ao desmatamento e queimadas, o Brasil tornou-se, no primeiro ano de Bolsonaro, o quinto maior emissor de gases de efeito estufa do mundo. Em 2019, o Brasil emitiu 2,175 bilhões de dióxido de carbono (CO2) — uma alta de 9,6% em relação a 2018. O efeito estufa contribui para as mudanças climáticas.

Toma lá dá cá

Ciro Nogueira, Senador PP-PI (Crédito: Renato Costa)

Como o senhor viu as divergências entre os ministros da Economia e o do Desenvolvimento Regional?
O ministro Guedes errou feio. Tem falado muito, o que não contribui para a estabilidade da economia. E o ministro Rogério Marinho tem apoio forte da classe política, econômica e dos estados que precisam de investimentos.

Essa briga prejudica o País?
É lógico que precisa haver racionalidade. O ideal é que o presidente faça esse entendimento.

Como seria a conciliação?
Guedes está certo ao desejar segurar os gastos para que não se fure o teto, mas nunca tivemos um ministro do Desenvolvimento Regional com tanta sensibilidade para implantar projetos fundamentais às regiões que mais precisam como Rogério Marinho.

Ideólogos em pânico

Temerosos de que ministros que apoiaram abertamente Trump, como Ernesto Araújo e Ricardo Salles, possam perder o emprego, os mentores da ala ideológica iniciaram ação junto a Bolsonaro para salvar a pele dos dois. À frente da patuleia está o deputado Eduardo, que também difundiu, sem provas, acusações de que os democratas fraudaram as eleições.

Arthur Max

Mudanças

Internamente, a pressão sobre Bolsonaro em relação à dispensa de Araújo e Salles vem da ala militar (leia-se generais Ramos e Hamilton Mourão), que se fortalece com a derrotadas republicanos, reverenciados pelo bolsonarismo. A saída seria deslocar Salles para o Turismo do desgastado Álvaro Antônio, deixando o Meio Ambiente para o Centrão.

Bolsonaro ressuscita Collor

Alan Santos

Investigado por malfeitos pelo STF, o senador Fernando Collor tornou-se o mais novo aliado do governo. O ex-presidente foi levado a tiracolo por Bolsonaro a Piranhas (AL) para inaugurar o sistema de água da cidade. “Collor luta pelo interesse do Brasil”, disse o mandatário. A velha política volta com força.

Rápidas

* Contaminado pela Covid-19, o deputado Arthur Lira, candidato de Bolsonaro à presidência da Câmara, afastou-se literalmente do corpo a corpo com os parlamentares na busca por votos: está isolado em sua casa de Maceió (AL), por recomendação médica. Momento difícil.

* O senador Major Olímpio sugere que os parlamentares paralisem os trabalhos no Congresso em boicote à eventual ação do governo na Justiça contra a derrubada do veto presidencial no caso da desoneração da folha.

* Olímpio entende que, se Bolsonaro judicializar a questão, o Executivo estará promovendo “uma ruptura” com o Legislativo, que já havia decidido manter a desoneração para o ano que vem. Mais um conflito envolvendo o governo.

* Enquanto Bolsonaro se recusava a cumprimentar Biden, Doria apressou para saudar o democrata. Instantes depois de confirmada a vitória, no sábado à tarde, Doria enviou-lhe carta convidando-o a visitar São Paulo.

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