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Política externa de gente grande

Não é novidade dizer que vivemos uma crise de lideranças. O atual processo eleitoral é uma demonstração inequívoca. Não há registro na história republicana de uma carência tão significativa de líderes como agora. Esse processo não é produto do acaso. Deve-se a uma estrutura política que rejeita a novidade e novas formas de ação política. Até o momento, o arcaico vence de goleada o moderno. A ruptura entre a sociedade civil e o Estado e seus braços – como os partidos políticos – se aprofundam. E o maior prejudicado é o cidadão que encontra por todos os lados a frustração.

Os presidenciáveis possuem enorme dificuldade de ter uma visão de totalidade dos dilemas que o País enfrenta. Abusam de clichês, de soluções que não são soluções. Dão a impressão que desconhecem o que está ocorrendo no mundo. São provincianos. E quanto se referem ao exterior é sempre de forma subserviente. Insistem alguns na importância da globalização, da liberdade comercial, mas em nenhum momento tocam na questão geopolítica. A inserção do Brasil no mundo é no campo das mercadorias. Isso como se o planeta vivesse em paz e, pior, para todo o sempre. Os conflitos que ocorrem no mundo, as áreas de influência que foram redefinidas com o fim da Guerra Fria, as contradições, entre outros exemplos, entre Estados Unidos e China, são absolutamente ignorados.

Dada a importância econômica do País, sua extensão territorial, a presença no hemisfério sul, além de estar distante das zonas mais conflituosas do mundo, dão ao Brasil a necessidade de estabelecer uma política externa que combine a presença econômica, seu poderio militar e os interesses estratégicos do país. O Itamaraty, que poderia ser esse corpo permanente de Estado — e não de governo — para elaborar propostas de interesse nacional, de há muito abandonou o papel de indutor da política externa. É uma tradicional repartição pública. Um escritório burocrático, cinzento, modorrento. Sua principal preocupação são as festas, coquetéis e intrigas internas que desservem à República.

É urgente que o País tenha uma política externa de, no mínimo, médio prazo. Um passo positivo foi ter abandonado a relação de amizade e aliança com os países bolivarianos. Mas só isso não basta. É necessário pensar grande, pensar do tamanho do Brasil. A nossa inserção no mundo não pode ocorrer de forma subordinada. Precisamos ter um diálogo de igual para igual com as potências de um mundo multipolar.

Um passo positivo foi ter abandonado a relação de amizade e aliança com os países bolivarianos. Mas só isso não basta


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