Polilaminina é promissora, mas cura ainda não foi descoberta, diz pesquisadora

Tatiana Sampaio, pesquisadora da UFRJ que estuda tratamentos para lesões na medula espinhal, afirma que os resultados ainda não são conclusivos

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Foto: Roda Viva/TV Cultura

A bióloga e pesquisadora Tatiana Coelho de Sampaio, professora da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), afirmou nesta segunda-feira, 23, que, embora os resultados com a polilaminina sejam promissores no tratamento de lesões na medula espinhal, ainda é prematuro afirmar que se trata de uma cura descoberta.

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“Descobrir a cura é muito forte, eu não diria isso. É uma substância que tem se mostrado promissora e trazido resultados que não tinham sido observados anteriormente. São surpreendentes. Tudo indica que estamos indo no caminho certo, mas é uma pesquisa ainda em andamento”, afirmou a pesquisadora.

Em um estudo acadêmico preliminar (ainda sem revisão por pares completa), realizado pela equipe de Tatiana Sampaio com oito pacientes que tinham lesão medular completa, 75% apresentaram algum grau de recuperação de função motora — um índice bem superior aos cerca de 10% de recuperação espontânea típica descritos na literatura médica para casos semelhantes.

Dos oito pacientes tratados, três faleceram, quatro apresentaram melhora parcial e um caso foi considerado extraordinário: o de Bruno Drummond de Freitas. Em 2018, ele sofreu um grave acidente de carro que resultou em lesão medular cervical completa e tetraplegia. Bruno recebeu a aplicação da polilaminina no dia seguinte ao trauma e, ao longo de dois anos, recuperou-se de forma quase completa, voltando a andar e a levar uma vida ativa.

Segundo a pesquisadora Tatiana Sampaio, embora o tratamento tenha sido iniciado imediatamente após o acidente, não é possível estabelecer uma correlação direta entre essa rapidez e o grau excepcional de recuperação. “Mas podemos inferir que o tratamento precoce tenha contribuído para um resultado mais favorável”, ponderou a cientista.

O que é a polilamina

A polilaminina é uma substância experimental desenvolvida por pesquisadores da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro), liderados pela bióloga Tatiana Sampaio, que ainda está em fases iniciais de investigação para o tratamento de lesões na medula espinhal (trauma raquimedular), condição que frequentemente causa perda de movimentos e paralisia.

Em janeiro de 2026, a Anvisa autorizou o início do primeiro estudo clínico de fase 1 com a polilaminina em casos de lesão medular aguda.

Essa fase inicial envolve poucos voluntários (cinco pacientes, com lesões completas na região torácica, entre T2 e T10, tratados em até 72 horas após o trauma) e tem como objetivo principal avaliar a segurança da substância em humanos, antes de avançar para testes de eficácia em etapas posteriores.

A polilaminina é uma versão polimerizada da laminina, uma proteína naturalmente produzida no corpo (especialmente abundante no desenvolvimento embrionário) e extraída de placentas humanas. No laboratório, a equipe da UFRJ conseguiu recriá-la para formar uma espécie de “andaime biológico” que estimula a reconexão de axônios (as “fibras” dos neurônios), facilitando a comunicação entre o cérebro e o corpo na região lesionada da medula.

A aplicação ideal ocorre de forma única, durante a cirurgia de descompressão da coluna, preferencialmente nas primeiras 72 horas após o acidente. Em situações fora desse prazo, pode ser injetada diretamente na medula.

Embora ainda experimental, a substância já foi usada em alguns pacientes por meio de decisões judiciais ou uso compassivo. Um exemplo recente é o da nutricionista e influenciadora Flávia Bueno, que sofreu lesão medular grave após um mergulho no início de 2025 e recebeu a polilaminina após liminar judicial; a família relatou movimentos no braço direito dias depois, mas especialistas enfatizam que não há como atribuir diretamente a melhora ao medicamento, devido a outros fatores e tratamentos envolvidos.

Em um estudo acadêmico preliminar (não patrocinado externamente e ainda sem revisão por pares completa), realizado pela equipe de Tatiana Sampaio com oito pacientes que tinham lesão medular completa, 75% apresentaram algum grau de recuperação de função motora — um índice bem superior aos cerca de 10% de recuperação espontânea típica descritos na literatura médica para casos semelhantes.

Pacientes relataram ganhos significativos de mobilidade, mas os resultados são considerados preliminares e não definitivos: ainda não é possível afirmar com certeza que as melhoras decorrem exclusivamente da polilaminina.