Comportamento

Policial de Chicago é julgado pela morte de adolescente negro

Policial de Chicago é julgado pela morte de adolescente negro

Manifestantes protestam pela morte de Laquan McDonald, em Chicago, em novembro de 2015 - GETTY IMAGES NORTH AMERICA/AFP/Arquivos

O julgamento de um policial branco de Chicago por atirar e matar um adolescente negro começou nesta quarta-feira (5) com protestos dos manifestantes, que acusaram as autoridades de “acobertarem” um caso que gerou tensão na terceira maior cidade dos Estados Unidos.

O oficial de polícia Jason Van Dyke é julgado por homicídio por disparar 16 vezes contra Laquan McDonald, de 17 anos, em um confronto em outubro de 2014.

O caso, capturado em um vídeo policial, deixa a opinião pública da cidade atenta, em meio a ameaças de violência caso o agente seja absolvido, além de consequências políticas para o chefe de polícia e para o promotor principal.

Fora do tribunal, manifestantes condenaram os disparos da polícia, exigiram que prestem contas e gritaram: “Dezesseis tiros e um acobertamento”.

O prefeito Rahm Emanuel, outrora estrela do Partido Democrata, anunciou na terça-feira que não tentará a reeleição, após incessantes pedidos de renúncia em meio a acusações de acobertamento.

O vídeo mostra Van Dyke disparando no adolescente, que segurava uma faca e parecia ter se afastado dos policiais. O oficial continua disparando depois que o adolescente cai no chão e nenhum dos outros oficiais no local aparecem usando suas armas.

“Nunca teria atirado se não tivesse pensado que a minha vida ou a de outro cidadão estivessem em perigo”, declarou Van Dyke ao Chicago Tribune em um entrevista na semana passada.

Em junho de 2017, um promotor de Chicago acusou três policiais de encobrir a verdade sobre o tiroteio.

A família McDonald pediu “paz completa” em uma entrevista coletiva na terça-feira.

“Nós não queremos nenhuma violência antes, durante ou depois do veredito neste julgamento”, disse o tio-avô do adolescente, Martin Hunter.

O juiz do caso, Vincent Gaughan, instruiu um grupo inicial de 200 possíveis jurados, que encheram a sala do tribunal e receberam questionários. Deverão voltar na semana que vem, já que o grupo deve ser reduzido a um júri de 12 pessoas.

Gaughan leu as 23 acusações contra Van Dyke. Enfrenta seis acusações de homicídio doloso, uma por má conduta oficial e 16 acusações de ataque agravado com arma de fogo, um por cada bala que atingiu McDonald.

Ja’Mal Green, membro do movimento ativista “Black Lives Matter” e candidato à Prefeitura da cidade, disse à AFP que a decisão de Emanuel não acalma os cidadãos enfurecidos.

“Estamos em uma situação na qual queremos uma condenação”, disse, e declarou que se Van Dyke for absolvido, “verá milhares de pessoas saindo às ruas”.