Entenda a polêmica envolvendo macaco que fez filme com Ingrid Guimarães

Caso envolve suspeita de maus-tratos e possíveis fraudes da documentação do animal; biólogo e influenciador Henrique Abrahão Charles é citado no episódio

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Ingrid Guimarães posa com macaco Katu, que é alvo de caso polêmico Foto: Reprodução/Redes Sociais

A participação de um macaco no filme Perrengue Fashion (2025), estrelado por Ingrid Guimarães, se transformou em uma disputa judicial em São Paulo. O caso envolve suspeitas de maus-tratos e possíveis fraudes na documentação do animal, conhecido como Katu, de 9 anos. As informações foram divulgadas pelo jornal Extra.

As acusações partem da empresária Camila Sayuri, tutora do macaco, que aponta irregularidades na conduta do adestrador André Poloni, responsável por levar o animal ao set de filmagens. Segundo ela, há indícios de que documentos tenham sido manipulados para viabilizar a participação do macaco na produção.

“É uma série de barbaridades”, afirma Camila, que diz possuir um documento da produtora indicando que o animal que aparece no longa não seria Katu, mas outro macaco pertencente ao adestrador.

O que aconteceu

  • A empresária Camila Sayuri acusa o adestrador André Poloni de fraudar documentos para usar o macaco Katu no filme Perrengue Fashion, estrelado por Ingrid Guimarães.

  • Segundo a tutora, o animal teria sido submetido a alimentação inadequada e condições irregulares durante o período em que esteve com o adestrador.

  • Katu foi entregue para treinamento em 2020, mas não foi devolvido. O caso evoluiu para uma disputa judicial envolvendo a guarda do animal.

  • O biólogo e influenciador Henrique Abrahão Charles é mencionado por Camila, que afirma que ele se recusou a ajudar por amizade com o adestrador.

  • O macaco foi encaminhado a um centro especializado e não retornou à tutora. O caso ganhou repercussão e pode ser levado ao Ministério Público.

Vídeos dos bastidores, no entanto, mostram o animal sendo chamado pelo nome pela própria atriz. “E esses vídeos gravados no set? Você vê que é o mesmo macaco, não tem como discutir. O André Poloni pegou o documento de um macaco dele que tava legalizado e na hora de gravar levou o macaco Katu. Ele cometeu uma fraude. É gravíssimo você gravar com um animal silvestre com um documento falsificado”, diz.

Além das suspeitas de fraude, a empresária também denuncia maus-tratos. “Recebi denúncias de que ele não deixava alimentação adequada, nem água adequada. Alimentação era uma vez por dia, sendo que o macaco come oito vezes por dia. E além disso, ele dava Danone para o macaco e vendia curso ensinando pessoas a darem Danone, e isso é um superproblema.”

O histórico do caso remonta a 2017, quando Camila adquiriu o animal junto com sua então companheira. Ao buscar consultoria com o próprio adestrador, elas descobriram que a nota fiscal do macaco era falsa e iniciaram um processo de regularização junto às autoridades ambientais.

Ingrid Guimarães protagoniza longa “Perrengue Fashion”, lançado em 2025 – Foto: Paris Filmes

Anos depois, em 2020, o animal foi entregue a Poloni para treinamento temporário, mas acabou permanecendo sob seus cuidados por cerca de cinco anos. Segundo Camila, houve resistência por parte do adestrador na devolução.

“O macaco foi para ficar com o adestrador por quatro meses, e ele não fez o que tinha que ser feito e pediu para ficar mais um tempo. (…) O adestrador começou a colocar empecilhos para eu ir buscá-lo, dizendo que iria ficar com o macaco”, relata.

A situação se agravou quando, ao tentar reaver o animal, a empresária foi informada de que ele teria sido devolvido às autoridades ambientais.

Biólogo Henrique Abrahão Charles é questionado por posicionamento

Outro ponto que ganhou repercussão envolve o biólogo e influenciador Henrique Abrahão Charles, citado por Camila como alguém que teria se recusado a intervir no caso. Segundo a empresária, ele teria declinado de ajudar por manter relação de amizade com o adestrador.

“Ele me disse que se tivesse que ficar do lado de alguém, ficaria do lado do amigo. Ele é um cara que salva animais, porque não salva os animais do próprio amigo dele?”, questiona.

Ao Extra, Camila enviou um áudio atribuído ao biólogo, no qual ele diz: “Ele é meu amigo. Conheço ele pessoalmente. Não vou tomar esse partido. Também não sei o que aconteceu. Se eu tiver que ficar de um lado, vou ficar do lado do meu amigo”.

Biólogo e influenciador Henrique Abrahão Charles

Disputa judicial e situação atual do animal

O caso chegou à Justiça, e o macaco foi encaminhado a um instituto especializado. Posteriormente, houve decisão para transferência ao Centro de Triagem e Recuperação de Animais Silvestres (Cetras), em São Paulo. A empresária, no entanto, não teve a guarda do animal autorizada.

A decisão judicial considerou, entre outros pontos, o uso comercial do macaco. “Ela considerou que eu tive uma culpa concorrente, que isso só aconteceu porque eu levei o macaco no adestrador”, afirma Camila.

Segundo ela, o animal teria sido utilizado em eventos e apresentações. “O Katu é o macaco mais adestrado do Brasil, por isso era o que ele mais usava para fazer gravações”, diz.

Atualmente, a empresária afirma reunir provas para levar o caso ao Ministério Público, incluindo um laudo veterinário sobre as condições do animal.

“Quem protege não tem medo de expor. O bem-estar do Katu está em jogo e a única coisa que queremos é trazer de volta para casa e dar uma qualidade de vida que ele somente vai encontrar em sua tutora”, declara.