Economia

Poder feminino

Aos 31 anos, a engenheira Juliana Coelho é a primeira mulher a assumir o comando de uma fábrica de carros da Fiat Chrysler Automóveis na América Latina. Ela chefiará mais de cinco mil homens

Crédito: Divulgação

FAÇANHA Juliana Coelho vai comandar a mesma fábrica onde conseguiu o seu primeiro emprego (Crédito: Divulgação )

Tudo começou com a paixão pelo Fiat Uno quatro portas azul-marinho que a família Coelho comprou em 1995 após muita economia. “Foi uma conquista familiar muito grande. Ter o primeiro carro zero foi muito importante para nós. Meu pai era um apaixonado por velocidade e fazia questão de ter aquele modelo”, lembra Juliana Coelho. Aos seis anos, ela mal sabia que passadas duas décadas seria a primeira mulher a assumir a direção de uma fábrica da Fiat Chrysler Automóveis (FCA) na América Latina. E o melhor: no seu próprio estado, berço da sua carreira meteórica como engenheira química. Num universo predominantemente masculino, o automobilístico, ela conseguiu uma verdadeira façanha. No novo cargo, Juliana comandará 5,6 mil funcionários, dos quais 90% são homens.

“Todo Jeep que sair da fábrica e rodar pela América Latina a partir de agora vai passar pela minha mão”

A fábrica onde começou a trabalhar na quarta-feira, 08, é uma velha conhecida. Foi lá, justamente, que ela conseguiu seu primeiro emprego. Localizada em Goiana, a 64 quilômetros da capital Recife, é a unidade mais moderna da FCA no País, de onde saem os campeões de vendas da marca: os SUVS Jeep Compass, Jeep Renegade e a picape Fiat Toro. “O nome do meu cargo em inglês é Plant Manager, ou seja, vou estar no chão da fábrica e não só atrás de uma mesa dando ordens”, afirma a engenheira, com muito orgulho e forte sotaque da terra pernambucana. Aos 31 anos, ela substitui no cargo o italiano Pierluigi Astorino, nomeado diretor de Manufatura da Fiat Chrysler no mercado latinoamericano. Sua missão é tornar a fábrica ainda mais eficiente e produtiva e trabalhar na busca constante da melhoria de qualidade.

Juliana sempre foi estudiosa, apaixonada por matemática, física e química. Perdeu o pai aos 12 anos, mas ainda lembra como costumava ajudá-lo, não só a lavar e a cuidar do carro da família, mas também a acompanhá-lo na locadora de automóveis em que ele trabalhava. Estabelecida a paixão e a familiaridade pelos automóveis, pensou em trabalhar na área de petróleo, mas com a abertura da fábrica na região e após completar a pós-graduação e mestrado, decidiu participar do programa de trainee da FCA.

Rumo ao sucesso

Outra coincidência do destino: o primeiro carro que Juliana Coelho dirigiu após tirar a habilitação também foi um Fiat Uno. Desta vez, a mãe decidiu comprar um modelo verde claro de duas portas e com ele a engenheira começou a rodar o País. Ao lado do marido, quem dirige nas viagens pelo País é ela. “Meu marido é professor e morre de orgulho de mim. Não tem problema nenhum com a minha profissão”, diz.

Durante o programa de treinamento na Fiat, fez cursos teóricos e práticos na Itália e na Sérvia, e ao voltar a Pernambuco trabalhou no setor de pintura, seu favorito, sendo contratada em 2013. Mesmo já tendo começado como especialista, sempre esteve próxima da equipe de chão de fábrica. Humildade e muita persistência fazem parte da trajetória de Juliana dentro da empresa. Ela começou na linha de produção e foi adquirindo posições de liderança por onde passava, inclusive na importante unidade de Betim, em Minas Gerais, onde estava até receber a promoção.

Contudo, afirma que mesmo nesta nova fase vai continuar andando pela unidade. “É um marco conseguir essa posição, eu já estava me preparando para isso, mas mesmo assim foi uma surpresa”, afirma. Liderar para ela é empoderar e desenvolver as pessoas. Saber o nome dos funcionários e fazer questão de impulsionar a todos é seu objetivo. Sem medos do novo desafio, Juliana está entusiasmada e não teme possíveis preconceitos machistas. “A opinião que formamos de uma pessoa acontece em menos de 10 segundos. É preciso não desistir e ter muita força de vontade para encarar o que vier”, afirma. Se ouvir alguma piada, diz que não vai ligar e seguirá trabalhando. “É isso o que importa”, finaliza.

Gerson Nascimento

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