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“Pode ser consequência de romantismo exacerbado”, avalia psicóloga sobre mortes no Maksoud Plaza

O casal encontrado morto no último domingo, 16, em um hotel de luxo em São Paulo, deixou um roteiro de “como aproveitar a morte” e mensagens de despedida, segundo as investigações da Polícia Civil.

Investigadores e peritos apreenderam cartas no quarto onde Luis Fernando Hauy Kafrune, de 19 anos, e Kaena Novaes Maciel, de 18, foram encontrados no Maksoud Plaza, na Bela Vista, no centro.

A principal hipótese, para a polícia, é de que os dois fizeram um pacto de morte: Kafrune teria dado um tiro na cabeça da namorada e se matado em seguida.

Maria Rita D’Angelo Seixas, doutora em Psicologia, terapeuta familiar e professora aposentada da Unifesp, analisa o caso. Confira a entrevista:

1. O que pode motivar um casal a fazer um pacto de morte?

Neste caso, não temos elementos para concluir nada. Mas, considerando a idade deles, isso poderia ser consequência de um romantismo exacerbado, associado a algum problema que eles consideravam incontornável e com potencial para separá-los.

2.Os jovens são mais suscetíveis a essas atitudes?

Sem dúvida. Não sei se eles tinham religião, mas a romantização de um amor eterno, que permanece após a morte, é algo que pega muitos jovens. Eles estão no início da vida afetiva e muitas vezes têm a fantasia de que a primeira paixão é para toda a vida.

3. Poderia haver aspectos patológicos envolvidos?

Não sei se podemos aventar essa hipótese. Esses casos podem envolver uma depressão motivada por um fator externo – doença ou resistência da família ao relacionamento – e um medo de perder um amor arduamente conquistado.

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.