Pobre Queiroga, injustiçado pelo mundo

Pobre Queiroga, injustiçado pelo mundo

Ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, no Palácio do Planalto


Marcelo Queiroga não sabe por que o vai-vem do Ministério da Saúde a respeito da vacinação de adolescentes sem comorbidades causou polêmica. Foi o que ele disse numa entrevista coletiva nesta sexta-feira, em Natal.

Vamos então explicar bem direitinho para o ministro.

  1. Vai-vem sempre deixa as pessoas confusas, ainda mais se ocorrer de supetão.

O ministério havia seguido a orientação da Anvisa, que liberou a vacina da Pfizer para todos os adolescentes com mais de 12 anos e há poucas horas do início da imunização, voltou atrás, sem divulgar amplamente a reviravolta. Muita gente bateu com a cara na porta dos postos de saúde e ficou cheia de dúvidas.

  1. Se o vai-vem for justificado, é ruim. Se a justificativa for pilantra, é pior ainda.

A nota técnica liberada pelo ministério mentiu ao dizer que a OMS não recomenda  a vacinação de adolescentes sem comorbidades. A instituição diz apenas que, se for preciso escolher, faixas etárias com mais riscos são prioritárias. A nota técnica foi capciosa ao afirmar que os benefícios da vacinação dos adolescentes não estão claramente estabelecidos – mas se esquece de dizer que eles podem ser vetores de transmissão do vírus para gente suscetível. Ou seja, há uma forte razão epidemiológica para fazer a vacinação, onde houver doses.

  1. Se além de pilantra, a justificativa  causar apreensão, eleva-se o problema ao cubo.

A nota técnica menciona o risco de “eventos adversos graves” em jovens vacinados. Isso liga a suspensão da campanha de imunização à notícia de que uma adolescente de 16 anos que havia tomado a vacina morreu. No entanto, ninguém sabe ainda se a morte da garota teve algo a ver com sua imunização. Trata-se, além disso, de um único caso entre os mais de 3 milhões de adolescentes que já foram vacinados por iniciativa dos Estados. Por causa disso, a Anvisa continua referendando o uso da vacina da Pfizer para a molecada. Assustar as pessoas é muito mais fácil que restituir-lhes a confiança. Em se tratando de um problema de saúde pública, o custo do tempo perdido pode ser bem alto.

Queiroga, obviamente, sabe de tudo isso. Ele sabe que o seu ministério meteu os pés pelas mãos em um assunto delicado, causando danos que podem ser difíceis de reparar. Ao se fazer de desentendido, ele apenas está sendo cínico e mostrando um dos comportamentos mais nauseantes que uma autoridade pública pode ter.

Se fosse honesto, Queiroga confessaria que não existe defesa médica nenhuma para a decisão de paralisar a vacinação dos maiores de 12 anos sem comorbidades. Diria apenas o que todo mundo já sabe: o retrocesso aconteceu porque Bolsonaro mandou, e ele obedeceu.

Em sua live de ontem, Bolsonaro convocou Queiroga para estar ao seu lado. O ministro confessou que havia atendido a uma “recomendação” do presidente, interrompendo a vacinação. A declaração funciona bem naquele palco, ela reforça a autoridade do presidente para o seu público de baba-ovos.

Mas hoje, em um ambiente não-controlado, Queiroga não teve a mesma candura. Em vez de dizer com franqueza que, apesar de ser médico, não teve coragem para recusar o cumprimento de uma ordem do chefe (como sempre sem respaldo na ciência), ele culpou o mundo cruel, que alimenta polêmicas sem razão nenhuma.

Essa é a nossa tragédia. Enquanto Brasília faz de conta que acredita na sinceridade da cartinha “moderada” de Jair Bolsonaro, ele continua no poder, atrapalhando o combate à pandemia. É fantasiosa a tese de que as instituições põem rédeas em Bolsonaro. Elas lhe bloqueiam o caminho para um golpe. De resto, o deixam livre para agir destrutivamente, que é tudo que ele sabe fazer. Cada minuto com Bolsonaro no governo é um minuto em que o país piora. E ainda falta muito até 2023.

PS: A Secretaria de Saúde do Estado de São Paulo divulgou há pouco o resultado do estudo sobre a morte da adolescente de 16 anos. A conclusão do painel com 70 especialistas foi que ela nada teve a ver com a aplicação da vacina. Deveu-se a uma rara doença autoimune.

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Sobre o autor

Carlos Graieb tem trinta anos de experiência como jornalista e executivo de mídia. Foi secretário de Comunicação do Governo do Estado de São Paulo (2017-2018)


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